Hoje, começou o Campeonato do Mundo de Futebol Rússia 2018. Mas quem ouviu falar do outro campeonato do mundo dos países e territórios não reconhecidos pela ONU?

No passado dia 9 de junho, jogou-se no Estádio Rainha Elizabeth II, em Londres, capital da Inglaterra, a final de uma curiosa prova similar aos Campeonato do Mundo de Futebol, chamada Campeonato do Mundo ConIfa.

O Campeonato do Mundo ConIfa reuniu 16 seleções de nações, dependências, Estados não reconhecidos, povos sem Estado, regiões e micronações filiadas na Confederação de Associações de Futebol Independentes (ConIFA), que está para a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associação) como os países não alinhados estão para a ONU.

A ConIFA tem 47 membros, sede em Lulea (Suécia) e organiza, além do Mundial, um Europeu, um Mundial feminino e um Mundial de futebol de praia.

Apesar de, por razões logísticas, se ter disputado em seis pequenos estádios da capital inglesa, a terceira edição do Mundial ConIFA teve como organizador a cidade de Barawa, no sudeste da Somália, entre a capital, Mogadíscio, e Kismayo. Localmente chamada Mini, a localidade portuária de 30 mil habitantes também é conhecida por Brava, devido aos portugueses, que a invadiram no início do século xvi, com Tristão da Cunha a desejar mais uma base para dominar o oceano Índico.

As 16 seleções do Mundial ConIFA 2018
A 31 de maio, quatro grupos de quatro seleções entraram em ação. 

Desde países soberanos – como Tuvalu, que substituiu Quiribati (porque não reuniu condições financeiras para participar), ambos da Oceânia...

... até grupos de migrantes da Ásia, como os Coreanos no Japão; o Tamil Ellam (constituído por jogadores da tribo do Sri Lanka radicados no Canadá, Reino Unido e Suíça); a Panjab (comunidade punjabi no Reino Unido, e não a região indiana do Punjab); e o Tibet.

Africanos, além de Barawa (também representada por somalis residentes em Inglaterra), estiveram presentes Matabeleland (da região ocidental do Zimbabué) e Cabília (povo do norte da Argélia). 

Da América foram a Cascádia, região na costa do Pacífico coincidente com os Estados de Oregon e Washington (EUA), e a província da Columbia Britânica (Canadá).

Da Europa, eram Abkhazia – república autónoma no Norte da Geórgia –; Padania, que identifica as regiões do Norte da Itália e algumas do centro; Székely Land, de húngaros e romenos que habitam uma área histórica e etnográfica na Roménia; Arménia Ocidental; os Karpatalya, de migrantes húngaros na Ucrânia, e a República Turca de Chipre do Norte.

Quem ergueu o troféu?
Os Karpatalya e a República Turca de Chipre do Norte defrontaram-se na final no dia 9 de julho.  Os Karpatalya venceram por 3-2 após grandes penalidades (depois do zero a zero no tempo regulamentar e prolongamento).

História do Mundial ConIFA 
O primeiro Mundial ConIFA foi organizado em 2014, na Lapónia, a região do Norte da Escandinávia que abrange territórios de quatro países: Noruega, Suécia, Finlândia e Federação Russa (península de Kola). Venceu o Condado de Nice (França).

Em 2016, a segunda edição ocorreu na Abcásia, região no Cáucaso, com 250 mil habitantes, que se declarou independente da Geórgia após a guerra civil de 1992-1993, mas que apenas é reconhecida pela Rússia, Venezuela, Nicarágua, Nauru, Vanuatu e Tuvalu e por outros Estados.

A qualificação para o Mundial ConIFA 2018 incluiu competições como a Taça Herança Húngara, para equipas da diáspora húngara, ou a Taça da Unidade Mundial, destinada a comunidades deslocadas e refugiados. A 9 de junho, no 48.º jogo, será encontrado o novo campeão mundial... não alinhado com a FIFA.

Luís Óscar Medeiros,

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