«Jesus Cristo é a semente lançada à Terra por Deus», comentário ao 11.º Domingo Comum

Jesus Cristo é a semente lançada à Terra por Deus. E a Terra acolheu Jesus como acolhe cada pessoa que vem a este mundo.

Jesus viveu em familiaridade com a Terra, que é mãe e irmã. Os Evangelhos, como o deste 11.º Domingo Comum, destacam de muitas maneiras a boa relação que Ele teve com a Terra. Desfrutou dos caminhos andados, dos campos semeados, do rio que o banhou (e batizou), do vento que se assemelha ao Espírito, das árvores que servirão como parábolas do Reino de Deus, das vinhas que serão símbolo da sua comunhão connosco para sempre...

Jesus também experimentou a dureza da Terra, a sua aspereza no deserto e o calor do seu abrigo na hora da morte; pisou o chão de terra batida, machucada, rasgada e que servia para classificar como pobres aqueles que ficavam nas suas margens....

O ritmo da Natureza inspirou Jesus para anunciar que o Reino  de Deus também tem o seu ritmo e o seu momento. Não o acelera a impaciência de uns, nem o paralisa o fracasso de outros. Não somos nós que levamos o Reino em nossas mãos, mas é nossa missão ajudar a desabrochá-lo, cuidando das suas sementes e vendo a Graça de Deus a atuar nas metáforas do Sol e da chuva que as nutrem.

Por isso, a melhor imagem que Jesus encontrou para expressar essa “presença misteriosa” do Reino de Deus é a da semente. Na semente acha-se presente uma grande força de crescimento, a força da vida contida na semente. Quando a semente é enterrada na terra, ela já conhece o seu caminho; escondida ali, debaixo da terra, envolvida pelo absoluto silêncio, apodrece para germinar e ir crescendo, até dar fruto no seu devido tempo.

Assim é o Reino de Deus: o fundamental de uma semente não é o seu tamanho, mas a enorme força transformadora que contém e a sua grande fecundidade.

Nós somos terra de Deus, alimentada pela seiva do seu Espírito. Sobre esta terra, Deus plantou a semente do Seu Reino (o Seu modo de ser e de atuar) para que germine, cresça e dê frutos. O que essa semente carrega no seu interior é um novo modo de viver e conviver, em sintonia com o modo de ser e de atuar de Deus.

É de Deus que tudo provêm e é para Deus que tudo converge. É Ele que, do Amor, por Amor e no Amor tudo cria, congrega (é em Deus que podemos tratar todas as coisas como irmãos/irmãs), sustenta e para Ele atrai.

Evangelho do 11.º Domingo Comum (Mc 4, 26-32):
Disse Jesus: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como.
A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa.»
Dizia também: «Com que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos? 
É como um grão de mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que existem; mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra.»

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