Um exercício para fazer em casa para melhor entender a parábola do grão de mostarda, que Jesus contou

As parábolas que Jesus contou acerca do Reino de Deus que lemos no Evangelho de Marcos 11.º domingo comum (ler, aqui: Mc 4, 26-34) são tiradas da vida rural.

Mas desta vez o grão (de mostarda) é tomado como um exemplo por uma de suas características: a sua pequenez. Jesus enfatiza com esta parábola a modéstia - do ponto de vista humano - do empreendimento em que compromete os seus discípulos. Porque o dinamismo do reino de Deus é a surpresa: um pequeno grão que vai superar todas as outras plantas.

Mas a parábola enfatiza ainda mais o contraste entre a pequenez da existência de Jesus (a semente lançada por Deus à Terra): a humildade do seu comportamento, o seu esvaziamento na paixão, e, por outro lado, paradoxalmente, a grandeza do Senhor Jesus Cristo ressuscitado na sua Igreja.

Sob a imagem da planta que se estende em longos ramos - onde os pássaros se aninham - o reino é reconhecido. 

Nem o caráter humilde/supremo dos ensinamentos do Evangelho, ou a fraqueza/o enlevo do grupo apostólico deve (des)iludir alguém: a mensagem de Cristo é dirigida a todas as pessoas de todas as raças e nações. Marcos provavelmente ecoa a parábola de Ezequiel: «Assim fala o Senhor DEUS: Depois, Eu próprio tomarei do cimo do cedro, do alto dos seus ramos colherei uma haste, e plantá-la-ei num monte bastante alto. Plantá-la-ei na montanha elevada de Israel: deitará ramos, produzirá frutos e tornar-se-á um cedro magnífico. Nele habitarão todas as espécies de aves; à sombra dos seus ramos repousarão todas as espécies de voláteis. E todas as árvores dos campos saberão que sou Eu, o SENHOR, quem humilha a árvore elevada e eleva a árvore humilhada, quem faz secar a árvore verdejante e florescer a que está seca. Eu, o SENHOR, o disse e o cumpro» (Ez 17, 22-24), que foi a primeira leitura da liturgia deste domingo).

Um exercício para fazer em casa, na catequese, etc.
Primeiro: Vendar os olhos de alguém; pedir-lhe para abrir as mãos; colocar um objeto doce (rebuçado, bolacha, por exemplo); pedir para adivinhar qual é o objeto que está na mão. 

Depois de alguma hesitação, a resposta é, habitualmente, verdadeira, mas algumas vezes tem de ser corrigida.

Segundo: Mantendo a pessoa os olhos fechados, colocar na mão dela uma semente e pedir para adivinhar.

A maioria das vezes a resposta é «não há nada!» E, quando é retirada a venda, é grande a surpresa, que pode ser ampliada se se mostra em fotos o que resulta daquela semente.

Comentário de Santo António de Lisboa
Santo António de Lisboa oferece um pensamento original ao comentar esta curta passagem (na versão paralela de S. Mateus):
«O Reino é Cristo e Cristo é a semente da Palavra.

[Jesus Cristo] era como o grão de mostarda semeado no jardim da Santíssima Virgem Maria: da pobreza e da humildade era o menor de todas as sementes, isto é, de todos os homens, no seu nascimento; ele cresceu, portanto, na sua pregação e no cumprimento dos milagres: e nisso ele era maior que todas as plantas, isto é, de todos os patriarcas do Antigo Testamento. Ele então se tornou uma árvore na sua ressurreição e espalhou os seus ramos com a pregação dos Apóstolos, e assim os pássaros do céu, isto é, os fiéis da Igreja, avançaram pela fé, e pela esperança e caridade eles habitam entre os seus ramos, isto é, no seu ensino e nos seus exemplos. Bem-aventurados os que veem agora, pela fé, aquele em quem todas as nações são abençoadas, e que eles O verão então de presença na glória celestial e eles o ouvirão dizer: "Vinde abençoado de meu Pai" (Mt 25,34). O próprio Cristo se digna a nos conduzir a essa visão e a escutar essa voz, aquele que é Deus abençoado em séculos eternos. Amém "(Sermão no domingo XIII depois do Pentecostes).

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