1. É habitual associarmos os santos à mansidão. Há, porém, quem tenha alcançado a santidade não só pelo caminho da brandura, mas também pela via da bravura.
2. Nem sempre os santos estiveram longe das bofetadas e nem sempre as bofetadas estiveram longe dos santos. Houve santos que levaram bofetadas. Mas o mais sintomático é que houve igualmente santos que deram bofetadas.
3. Santa Isabel da Hungria, apesar de ser rainha, foi severamente penitenciada. O seu director espiritual, Conrado de Magburgo, disciplinava-a com bofetadas. E, como se isto não bastasse, arranjou duas mulheres para a agredir e caluniar.
4. O Santo Cura d’Ars, quando era seminarista, levou duas bofetadas de um colega que lhe dava explicações. Como João Maria Vianney revelava dificuldades na aprendizagem, o «explicador» perdeu a paciência. É claro que depressa se arrependeu da agressão. Mais tarde, viria a chegar a bispo e foi sempre respeitador para com o antigo colega. Já sacerdote, alguém lhe deu uma bofetada. Impávido e sereno, ainda conseguiu reagir com tintas de humor: «Meu amigo, a outra face está com inveja!»
5. A Beata Rafaela Ibarra foi atingida à bofetada por uma reclusa que tinha ido visitar. Eis a sua resposta: «Não me fizeste mal, minha filha! A partir de agora, vou gostar ainda mais de ti».
6. Aliás, nem Jesus ficou a salvo das bofetadas. Também Ele foi esbofeteado por um guarda (Jo 18, 22).
7. O mais intrigante, porém, é ver como — em relação às bofetadas — houve santos que as deram. Foi o caso de São Pio X, que, torturado por uma dor de dentes, esbofeteou a irmã que lhe recomendava paciência.
8. Também consta que São Nicolau, em pleno Concílio de Niceia (325), deu umas bofetadas em Ario, por este negar a plena divindade de Cristo.
9. No século XIII, São Peregrino agrediu São Filipe Benizi a soco e à bofetada. Este, no entanto, perdoou-lhe e acolheu-o na Ordem dos Servos de Maria, que tinha fundado.
10. É sobejamente conhecido o conselho de São João Crisóstomo. Se alguém ouvir uma blasfémia, não hesite em esbofetear quem a profere. «Batendo-lhe, santificas a tua mão». Mas é melhor não seguir tal conselho. Tanto mais que, como notava o mesmo santo, «a violência não se vence com a violência, mas com a mansidão»!
João António Pinheiro Teixeira, em Facebook
11. Ler também: As bofetadas pedagógicas de Dom Bosco
Num dia comum no Oratório de Turim, por volta do ano 1864, e
como de costume, apinhavam-se em torno de Dom Bosco várias dezenas de
estudantes ávidos de aproveitar o tempo de recreio para uma meia hora de
convívio com aquele santo sacerdote ao qual amavam e veneravam como pai.
Sempre alegre e empenhado em transmitir aos seus juvenis
interlocutores a alegria da virtude, Dom Bosco nunca perdia de vista as
fisionomias deles. Fixando certo dia os olhos num jovem cuja mente parecia
vaguear pelo mundo da lua, deu-lhe uma bofetada. Logo em
seguida, o Santo amainou a perplexidade do agredido com um largo sorriso e disse-lhe
ao ouvido: «Fica tranquilo. Não bati em ti, mas no tentador.»
Episódios semelhantes a este eram comuns no dia a dia do
Oratório.
Narra o P.e Lemoyne que, «deparando-se com algum jovem de
aspeto melancólico, Dom Bosco chamava-o, inquiria o motivo da sua tristeza e advertia-o:
‘São Filipe Neri ensinava que a melancolia é o oitavo pecado capital’. Depois, consolava-o com alentadoras palavras e terminava por dar-lhe algo à
maneira de uma bofetada, dizendo: ‘Alegra-te!’ E com isto – coisa admirável! –
restituía-lhe a primitiva alegria».
Em 1863, encontrava-se Dom Bosco a pregar uns Exercícios
Espirituais, quando viu dois meninos saírem do Oratório às escondidas para irem
banhar-se num rio próximo. Depois de nadar durante algum tempo, entabularam na
margem uma conversa sobre temas inconvenientes. Dom Bosco ouviu e interrompeu-os
com uma série de vigorosas palmadas nas costas. Assustadíssimos, porque não
viam o “agressor”, mas a sentir ardente dor nas espáduas, voltaram às pressas
ao Oratório.
P.e Francisco Teixeira de Araújo, EP, em http://www.arautos.org

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