De todos os muitos atos realizados por Jesus Cristo, o mais lembrado pelas primeiras comunidades cristãs foi uma refeição numerosa, organizada por Ele no meio do campo, nas proximidades do lago da Galileia. É o único episódio registado pelos quatro evangelhos.
Mais ainda, o sinal extraordinário da chamada multiplicação dos pães e dos peixes é narrado seis vezes nos Evangelhos, uma vez por Lucas e João e duas por Mateus e por Marcos: Mateus 14, 13-21 e 15, 32-38; Marcos 6, 34-44 e 8, 1-9; Lucas 9, 10-17; João 6, 1-15.
Mais ainda, o sinal extraordinário da chamada multiplicação dos pães e dos peixes é narrado seis vezes nos Evangelhos, uma vez por Lucas e João e duas por Mateus e por Marcos: Mateus 14, 13-21 e 15, 32-38; Marcos 6, 34-44 e 8, 1-9; Lucas 9, 10-17; João 6, 1-15.
O conteúdo da história é muito rico. Seguindo o seu costume, o Evangelho de João não lhe chama "milagre", mas "sinal". Com isso ele nos convida a não permanecer nos eventos que são narrados, mas a descobrir, pela fé, um significado mais profundo.
Jesus ocupa o lugar central. Ninguém Lhe pede para intervir. É Ele quem intui a fome daquelas pessoas e chama a atenção dos mais próximos para a necessidade de alimentar a multidão. É comovente saber que Jesus não apenas alimentou as pessoas com a Boa Nova de Deus (a Palavra de Deus), mas também se preocupou com a fome dos Seus filhos.
Os discípulos não encontram uma solução
Como alimentar uma multidão no meio do campo? Um dos apóstolos, Filipe, descarta a possibilidade de comprar pão, porque eles não têm dinheiro.
Por sua vez, outro apóstolo, André, acha que poder-se-ia partilhar o que há, e dá a conhecer um menino que tem cinco pães e um dois de peixes. Mas, acrescente, o que é isso para tantos?
Para Jesus, é o suficiente
Aquele menino sem nome ou rosto tornará possível o que parece impossível. A sua vontade de partilhar tudo o que tem mostra o que fazer para alimentar aquelas pessoas. Ele dá o que tem. Jesus fará o resto. Toma os pães do rapazinho nas suas mãos, dá graças a Deus e comece a distribuí-los por todos.
O ingrediente valioso desta refeição
A cena é fascinante. Uma multidão, sentada na relva verde do campo, a partilhar uma refeição gratuita num dia de primavera. Não é um banquete rico. Não há vinho ou carne. É a comida simples das pessoas que vivem à beira do lago: pão de cevada e peixe salgado. Mas o ingrediente que lhe dá riqueza é ser uma refeição fraterna servida por Jesus a todos graças ao gesto generoso de um rapazinho.
Símbolo e lema da Igreja desde os inícios
Aquela refeição partilhada foi para os primeiros cristãos um atraente símbolo da comunidade nascida de Jesus para construir uma humanidade nova e fraterna. Ao mesmo tempo, evocava a Eucaristia que celebrava o dia do Senhor para alimentar-se da fé, do espírito e da força de Jesus: o Pão vivo vem de Deus.
E para nós, hoje?
Mas eles nunca esqueceram o gesto do jovem. Se há fome no mundo, não é por falta de comida, mas por falta de solidariedade. Há pão para todos, falta de generosidade para compartilhá-lo. Deixamos a marcha do mundo nas mãos de um poder económico desumano, temos medo de compartilhar o que temos, e as pessoas estão famintas por nosso egoísmo irracional.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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