«Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco», parece ser um convite apropriado de Jesus Cristo para nós neste no período de férias

Evangelho segundo S. Marcos (6, 30-34): «Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: "Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco." De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, que eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.» (proclamado no 17.º domingo comum)

Estamos diante do regresso dos Apóstolos, enviados de Jesus para dar continuidade à Sua missão de anunciar o Reino. Voltam para junto de Jesus, referência da vida e da missão, e narram-Lhe o que realizaram. Anunciam um mundo novo, um projecto de Vida verdadeira e plena que Deus quer oferecer a todos. Trata-se de uma cena de profunda comunhão de vida e de missão entre os discípulos e Jesus.

Como cristãos participamos da vocação de apóstolos. Somos chamados a viver na comunhão com Jesus e enviados em missão, para O anunciar e proclamar com a vida. Esta relação com Jesus manifesta-se no facto de ‘voltar para junto dele’ ao fim do dia , ao Domingo, num tempo de retiro, numa pausa, num momento de oração…narrando-Lhe os nossos feitos, as nossas preocupações, as limitações, as tentativas, as vitórias, as quedas; contar-Lhe tudo o que trazemos no coração.

‘Vinde Comigo!’ Em tempo de férias, este parece ser um convite oportuno e cheio de atualidade dirigido a cada um de nós. Que estas férias não sejam tempo desperdiçado mas sim, um tempo de descanso bem merecido, vivido com Jesus. Deixemos que Ele faça parte dos nossos planos de férias. Parar com Ele longe das ocupações que O ofuscam, regenera as nossas forças físicas e espirituais. Tenhamos a coragem de responder ao convite e ir com Jesus; assim faremos uma experiência de comunhão e intimidade que nos transformará profundamente!

Tomemos consciência das realidades e situações que nos ocupam o tempo de tal forma que nem sequer temos tempo para sustentar a vida de forma saudável e equilibrada, aos seus vários níveis. É-nos pedido atenção ao nosso estilo de vida! Afinal, o que nos rouba o tempo e a motivação para nos encontrarmos profundamente connosco, com as pessoas que amamos e com quem partilhamos a vida, com Deus e com a Sua Palavra amiga!? Só Ele é o alimento que nos sustém.

Vamos também nós responder ao convite de Jesus. É Ele que quer estar connosco, dizer-nos a Sua Palavra amiga, o segredo surpreendente dos Seus projectos de mais vida! Deixemos por um pouco os outros, os barulhos, as multidões, as pressas… e partamos no ‘barco’ do silêncio, da reflexão e da oração, que nos leva ao lugar apropriado do encontro profundo com Ele.

É importante estar atento aos sinais, aos testemunhos daqueles que seguindo Jesus dão-Lhe a primazia do amor e do tempo. Aqueles que se retiram com Jesus para participar da Sua vida e da Sua missão de construção do Reino. Precisamos descobrir e valorizar esses mensageiros de Jesus e fazer parte da multidão que acorre até Ele, até aos lugares onde o Senhor nos espera.

A comoção de Jesus diante das ‘ovelhas sem pastor’ é sinal da Sua preocupação e do Seu amor, ontem, hoje e sempre. Revela a Sua sensibilidade e solidariedade com todos os sedentos de vida e carentes de sentido. Jesus convida-nos a atender às necessidades dos irmãos. Cada pessoa tem direito a esperar de nós um gesto de bondade e acolhimento. Não podemos ficar indiferentes, comodamente instalados, quando percebemos que alguém vem até nós sedento de um olhar, um sorriso, uma palavra, um pouco do nosso tempo e do nosso amor. Como Jesus, quando necessário, deixemos cair os nossos projectos em favor do serviço aos outros.

Ir. Mª das Dores Rodrigues, fma

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