Do Evangelho de S. João (Jo 6, 24-35), proclamado neste 18.º
Domingo Comum (Ano B):
«Perguntaram, então, a Jesus os seus discípulos: "Que
devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?" Ele respondeu-lhes:
"A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou.".»
1. O que é acreditar?
Acreditar é ter fé. E dar crédito a uma coisa, aceitá-la
como verdade, e agir de acordo com essa adesão pessoal.
A Bíblia - pelas palavras e obras de profetas, sábios,
poetas que compuseram os salmos, e, sobretudo, de Jesus Cristo - diz que
devemos ter fé em Deus e no Seu poder - que é Amor - para mudar a nossa vida.
2. O que diz a Bíblia sobre a fé?
Fé é acreditar, mesmo sem ver
«Ora, a fé é garantia das coisas que se esperam e certeza
daquelas que não se vêem» (Carta aos Hebreus 11, 1).
Não podemos ver Deus, nem o Céu. Ter fé em Deus é acreditar
mesmo sem ver.
3. Deus recompensa os que têm fé
«Quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e
recompensa aqueles que O procuram» (Hebreus 11, 6).
Se não cremos em Deus, como poderemos aceitar Jesus como Seu
filho, e que morreu para nossa salvação?
4. Deus ajuda a ter fé
«É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não
vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na
prática das boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos»
(Carta de S. Paulo aos Efésios 2, 8).
Deus ajuda-nos a ter fé por meio dos dons do Espírito Santo:
Fortaleza, Sabedoria, Ciência, Conselho, Entendimento, Piedade, Temor de Deus, dando entendimento e convicção da
verdade.
5. A fé é uma escolha
A fé não implica falta de evidências, não é aceitar
cegamente. Ter fé e dizer que Deus é digno de crédito, não pode mentir, não
erra, não quer o mal...
Mas a fé implica uma atitude pessoal: confiar, dar o passo,
mesmo que não se veja bem definido o que está à frente, aceitar que a vida
venha a ter uma revolução, por ser discípulo de Jesus.
6. Três atitudes de quem tem fé
Compreender: Para ter fé, é preciso compreender aquilo em
que se acredita. Sem compreensão não há fé verdadeira, mas apenas aceitação
cega sem utilidade.
Personalizar: A fé cristã não se refere a doutrinas,
ensinamentos, mas é uma relação pessoal com Deus, é um estilo de vida. Ter fé
implica assumir uma relação familiar com Deus (filhos em relação a Ele, irmãos
em relação a Jesus a e cada ser que existe no Universo) e agir de acordo com o
que o ser família, comunidade, exige.
Agir: A prova da fé são as obras. «Eu te mostrarei a minha
fé pelas minhas obras» (Carta de São Tiago 2, 18)
7. Como aumentar a fé?
Ir às fontes da fé. Quando Deus parece estar longe, ausente,
quando há dúvidas de fé, basear-se no que está escrito, na Palavra de Deus. E
uma Bíblia na mão é ter Deus ao nosso lado a falar connosco. Ler a Bíblia,
meditá-la, evita dar mais importância aos sentimentos (como o de solidão, de
medo, de isolamento) do que ao esclarecimento da mente.
Admitir as dúvidas. Dúvidas todos temos. Também acerca de
Deus e da Igreja. E vale mais expor as dúvidas, ser ignorante por um minuto, e
esclarecê-las, do que permanecer ignorante e perder oportunidades de
relacionar-se com Deus acompanhado pela comunidade dos crentes, que é a Igreja,
e também acompanhados por todos aqueles que, fiéis de outras religiões ou, até,
sem fé, mas sábios de coração, seguem valores, princípios e objetivos de vida
que procuram o bem de todos.
Não chamar fracasso às crises de fé. Os sentimentos
negativos são venenosos para a fé. Já os sentimentos positivos - confiança,
esperança - alimentam a fé. Tudo o que pensamos e dizemos pode transformar-se
em comportamento.
Crescer com as dificuldades. Quando passamos nos testes da
vida, tudo em nós se fortalece. Também a fé. Nestes momentos, é muito útil
consultar familiares, amigos, um diretor espiritual, que ajudem a relembrar
como nos momentos difíceis da vida, Deus apoiou e guiou.
Entrar no ritmo de Deus. Saber que Ele faz as coisas no Seu
tempo, aprender a esperar. Não ficamos nós numa fila para tantas coisas? Não
fazemos viagens, algumas longas e demoradas, para chegar onde queremos estar?
8. Pagar o preço da fé, que é o martírio.
O mártir é, segundo a etimologia grega, «testemunha». Os
discípulos perguntaram a Jesus: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e
acreditemos em Ti? Que obra realizas?»
Jesus – que antes tinha alimentado a fome da multidão – dá
este testemunho: fala-lhes de um pão que não sacia só a fome de um dia, mas a
fome e a sede de vida que há no ser humano. E apresenta-Se como esse «Pão de
vida eterna». Jesus apresenta-se como o Pão que nos vem do Pai, não para nos
enchermos de comida, mas «para dar vida ao mundo».
Com Jesus e como Jesus, cada um há de decidir como quer
viver e como quer morrer. Para isso, temos de alimentar em nós a força
ressuscitadora/transformadora de Deus, que nos faz viver como quem não acaba
com a nossa morte, mas, tendo vindo a este mundo, e colaborado nele para o seu
aperfeiçoamento, não deixará de
contribuir, através da comunhão dos santos, na Vida Eterna.

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