«Não é loucura caminhar com as próprias pernas. Loucura é deixar-se levar pelo ‘rebanho’, sem nunca questionar o percurso» (Gustl Rosenkranz, blogueiro alemão).
«Felizes os insatisfeitos, porque se tornam caçadores de tesouros» (Ermes Ronchi, padre e teólogo italiano).
Aqui, "insatisfeitos" quer dizer aqueles que não estão acomodados, os que se interrogam, os que andam à procura, os buscadores, os desassossegados, os que não são apáticos nem indiferentes.
«Na tradição hebraica, conta-se que no princípio Deus criou o desejo de questionar e depositou-o no coração do Homem.»
O verbo, «procurar» oferece a definição do Homem: nós somos criaturas de perguntas e de procura, criaturas de desejo.
«Se Deus me pusesse numa mão toda a verdade e na outra as perguntas sobre a verdade, eu escolheria a mão que interroga» (Gotthold Ephraim Lessing, poeta, dramaturgo, filósofo e crítico de arte alemão).
As perguntas abrem passagem à novidade.
Alimentamo-nos com uma ração quotidiana de interrogações. Elas são pão para o espírito, para o coração, o maná para uma longa viagem.
Rainer Maria Rilke, poeta alemã, nas Cartas a um jovem poeta, exorta o seu interlocutor a «viver bem cada pergunta (...), porque as perguntas sugerem e as respostas definem. As definições fecham-nos, as perguntas convidam-nos a ir mais além. As perguntas são frescura. A procura nasce de uma falta, de um vazio que pede para ser preenchido (...) E eu, do que preciso? O que é que me falta? (...) «Que procurais?» significa: qual é o teu desejo mais forte? O que é que mais desejas na vida?
O que é que eu procuro? Esta é a pergunta que abre as fechaduras do meu coração; e não outras, como: Que devo fazer? Como devo ser? Não perguntemos o que devo ou não devo, mas quem sou eu; o que é que vive em mim, o que se passa no meu espaço vital. (...) É muito importante que exista alguém que nos lembre com frequência: mas tu, por quem caminhas? Que lógica te orienta? Porque estou eu aqui?»
«Todos nascemos como seres apaixonados. A nossa vida não avança por ordens ou proibições, mas por uma paixão. Caminhamos por atração suprema (...) Eu procuro um Deus sensível ao coração, Alguém que faça feliz o coração, e cujo nome é alegria, liberdade e plenitude (...) Caminho por causa de Alguém que faz feliz o meu coração» (Ermes Ronchi, no livro As inquietantes perguntas do Evangelho, Paulus, 2017, pp.9-21)
Pedro, em http://oolhoprofetico.blogspot.com

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