«É doloroso observar como a Eucaristia vai perdendo o seu poder de atração», quando Jesus disse: «Quem "comunga" habita em Mim e Eu nele»
«Naquele tempo, disse Jesus à multidão: "Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue habita em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.".»
O segredo e a virtude da Eucaristia
Para ter Vida dentro de nós necessitamos alimentar-nos de Jesus, o Filho de Deus, Aquele por Quem nos veio a vida:
«No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir;
e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens» (Evangelho de S. João, 1, 1-4)
Nutrir-nos do Seu alento vital, interiorizar as Suas atitudes e os Seus critérios de vida: este é o segredo e a virtude da Eucaristia. Só conhecem este segredo aqueles que comungam com Jesus e se alimentam da Sua paixão pelo Pai e do Seu amor aos Seus filhos.
A linguagem de Jesus é de grande força expressiva. A quem sabe alimentar-se Dele faz-lhe esta promessa: «Esse habita em mim e Eu nele». Quem se nutre da Eucaristia experimenta que a sua relação com Jesus não é algo exterior. Jesus não é modelo de vida que imitamos desde fora. Ele alimenta a nossa vida desde dentro.
Esta experiência de «habitar» em Jesus e deixar que Jesus «habite» em nós pode transformar a partir da raiz a nossa fé. Esse intercâmbio mútuo, esta comunhão estreita, difícil de expressar com palavras, constitui a verdadeira relação do discípulo com Jesus. Isto é segui-Lo sustentados pela Sua força vital.
A vida que Jesus transmite aos Seus discípulos na Eucaristia é a que Ele mesmo recebe do Pai, que é Fonte inesgotável de vida plena. Uma vida que não se extingue com a nossa morte biológica. Por isso se atreve Jesus a fazer esta promessa aos Seus: «O que coma deste pão viverá para sempre.»
Crise dolorosa
Sem dúvida, o sinal mais grave da crise da fé cristã entre nós é o abandono tão generalizado da Eucaristia dominical. Para quem ama Jesus é doloroso observar como a Eucaristia vai perdendo o seu poder de atração. Como discípulos de Jesus, como nos atrevemos a reagir?
José Antonio Pagola, comentário ao XX Domingo Comum, Ano B

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