Neste domingo, Deus faz uma queixa: «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim»

No Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos, proclamado hoje, 22.º Domingo Comum, vemos reunir-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham ido de Jerusalém.

Eles observaram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. Então, perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?»

Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens».

Depois, Jesus chamou a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

Jesus responde-lhes com umas palavras do profeta Isaías que iluminam muito bem a Sua mensagem e a Sua actuação. 

Segundo o profeta de Israel, esta é a queixa de Deus: «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim». 

Este é sempre o risco de toda a religião: dar culto a Deus com os lábios, repetindo fórmulas, recitando salmos, pronunciando palavras bonitas, enquanto o nosso coração «está longe Dele». No entanto, o culto que agrada a Deus nasce do coração, da adesão interior, desse centro íntimo da pessoa de onde nasce as nossas decisões e projectos.

Quando o nosso coração está longe de Deus, o nosso culto fica sem conteúdo. Falta-lhe a vida, o escutar sincero da Palavra de Deus, o amor ao irmão. A religião converte-se em algo exterior que se pratica por hábito, mas em que faltam os frutos de uma vida fiel a Deus.

A doutrina que ensinam os escribas são preceitos humanos. Em toda a religião há tradições que são «humanas». Normas, costumes, devoções que nasceram para viver a religiosidade numa determinada cultura. Podem fazer muito bem. Mas fazem muito mal quando nos distraem e afastam do que Deus espera de nós. Nunca dever ter a primazia.

Ao terminar a citação do profeta Isaías, Jesus resume o Seu pensamento com umas palavras muito graves: «Vós deixais de lado o mandamento de Deus para agarrarem-se à tradição dos homens». Quando nos agarramos cegamente a tradições humanas, corremos o risco de esquecer o mandato de amor e desviamo-nos de seguir a Jesus, Palavra encarnada de Deus. Na religião cristã, em primeiro é sempre Jesus e a Sua chamada ao amor. Só depois vêm as nossas tradições humanas, por muito importantes que nos possam parecer. Não temos de esquecer nunca o essencial.

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