«O que posso fazer hoje para ir ao encontro das necessidades do meu próximo com o amor do Senhor Jesus?», esta é a pergunta fundamental do cristão
Realizou-se no Vaticano a 12.ª Peregrinação Internacional dos Acólitos, de 30 de julho a 3 de
agosto.
Mais de 80 mil jovens e adolescentes, naturais de 18 países europeus e americanos, uniram-se para meditar no tema «Busca
a paz e vai ao seu encalço» (Salmo 33,15b), que foi o lema escolhido para o evento. Um dos pontos altos da peregrinação foi o encontro com o Papa Francisco na Praça São Pedro,
no final da tarde de 31 de julho.
«Queridos acólitos», disse o papa no início do encontro, «é com muita alegria que vos vejo tão numerosos aqui na Praça São Pedro,
enfeitada com as cores das vossas bandeiras. Sou peregrino como vocês, que vieram
de muitos países do mundo. Estamos unidos na fé em Jesus Cristo, estamos em
caminho com Ele que é nossa paz.»
Seguiu-se um momento de colóquio em
forma de perguntas. Foram cinco perguntas em cinco línguas.
Santo Padre, como acólitos e também como crentes, damos a
paz um ao outro, dando-nos o sinal de paz durante a Santa Missa. Como podemos
contribuir a fazer sair essa paz também fora dos muros de nossas igrejas e
sermos construtores de paz nas nossas famílias, nos nossos países e no mundo?
Disseste muito bem: a paz e a Santa Missa vão
juntas. Antes do sinal da paz, pedimos ao Senhor que dê paz e a unidade à
comunidade da Igreja. A paz é Seu dom que nos transforma, para que nós, como
membros do Seu corpo, possamos sentir os mesmos sentimentos de Jesus, possamos
pensar como Ele pensa, amar como Ele ama. E, ao término da Missa, somos enviados
com a palavra: “Ide em paz”.
O compromisso concreto em prol da paz é a prova de
que somos de verdade discípulos de Jesus. A busca da paz começa pelas pequenas
coisas. Por exemplo, em casa, depois de uma briga entre irmãos, fecho-me em
mim mesmo, fazendo-me de ofendido, ou esforço-me por dar um passo em direção
do outro? Estou pronto a perguntar em cada situação: “O que Jesus faria no
meu lugar?” Se fizermos isso e procurarmos pôr em prática com firmeza,
levaremos a paz de Cristo na vida de cada dia e seremos construtores e
instrumentos de paz.
Santo Padre, somos acólitos. Servimos o Senhor junto do
altar e contemplamo-Lo na Eucaristia. Como poderemos viver a contemplação
espiritual a exemplo de Maria e o serviço prático a exemplo de Marta,
procurando reconhecer concretamente, na nossa vida, aquilo que Jesus quer de nós?
Como acólitos, de facto, vocês fazem a experiência de
Marta e Maria. É bom se, além dos seus turnos de serviço litúrgico, vocês sabem, por um lado, comprometer-se na vida paroquial e, por outro lado, ficar em silêncio
na presença do Senhor. E assim, neste entrelaçamento de ação e contemplação,
também se reconhece o desígnio de Deus para nós: pode-se ver quais são os
talentos e os interesses que Deus coloca no nosso coração e como os desenvolver.
Mas, sobretudo, nós colocamo-nos humildemente diante de Deus,
assim como somos, com as nossas qualidades e os nossos limites, pedindo-Lhe como
melhor O servir e ao nosso próximo. E não tenham medo de pedir um bom conselho
sempre que vocês se perguntarem como poder servir Deus e as pessoas que
precisam de ajuda no mundo. Lembrem-se de que, quanto mais vocês se doarem aos
outros, tanto mais vão receber em plenitude vocês mesmos e vão ficar felizes!
Santo Padre, sendo acólitos, entristece-nos ver poucos
coetâneos que participam na Santa Missa e da vida paroquial. A Igreja, em
alguns países, está a perder rapidamente, por diferentes razões, muitos jovens.
Como podemos nós e as nossas comunidades alcançar essas pessoas e trazê-las de
volta a Cristo e à família da Igreja?
Hoje vocês, como jovens, podem ser apóstolos que sabem
atrair os outros a Jesus. Isso vai
acontecer se vocês estiverem cheios de entusiasmo por Ele, se vocês já O encontraram e O conheceram pessoalmente e foram, vocês em primeiro lugar, “conquistados” por Ele.
Por isso eu lhes
digo: procurem conhecer e amar cada vez mais o Senhor Jesus, encontrando-O na
oração, na Missa, na leitura do Evangelho, no rosto dos pequenos e dos pobres.
E procurem ser amigos, com gratuidade, de quem está ao vosso redor, para que um
raio da luz de Jesus possa chegar até essa pessoa através do coração de vocês
apaixonado por Ele.
Não são necessárias muitas palavras, são mais importantes
os factos, a proximidade, o serviço. Os jovens – como todos, na realidade – precisam de amigos que deem o bom exemplo,
que façam sem pretender algo em troca. E deste modo vocês também
fazem sentir como é bonita a comunidade dos crentes, pois o Senhor habita nela, e como é bom fazer parte da família da Igreja.
Santo Padre, muitas pessoas dizem que não precisam de Deus,
da religião e da Igreja nas suas vidas. Porquê alguém deveria decidir
precisamente pela fé católica? Qual é a coisa mais importante? E porquê a fé é
tão importante para o senhor?
A fé é essencial, me faz viver. Eu diria que a fé é como o
ar que respiramos. Não pensamos, a cada respiro, em quanto necessário seja o
ar, mas quando falta ou não está limpo, reparamos o quanto é importante!
A fé ajuda-nos a entender o sentido da vida: existe alguém que nos ama
infinitamente, e este alguém é Deus. Podemos reconhecer Deus como nosso criador
e salvador; amar Deus e acolher a nossa vida como um dom Seu. Deus quer entrar num relacionamento vital connosco; quer criar relações e nós somos chamados a
fazer a mesma coisa.
Não podemos acreditar em Deus e pensar que somos filhos
únicos! Todos somos filhos de Deus. Somos chamados a formar a família de Deus,
ou seja a Igreja, a comunidade de irmãos e irmãs em Cristo – somos «familiares
de Deus» como diz São Paulo (Ef 2, 19). E nesta família da Igreja o Senhor
alimenta os seus filhos com Sua Palavra e Seus Sacramentos.
Santo Padre, o nosso serviço de acólitos é bonito, gostamos
muito. Queremos servir o Senhor e ao próximo. Mas fazer o bem nem sempre é
fácil, ainda não somos santos. Como podemos traduzir o nosso serviço na vida quotidiana, em obras concretas de caridade e num caminho de santidade?
Sim, é preciso esforço para fazer sempre o bem e nos tornarmos
santos… Vejo que vocês servidores do altar estão
comprometidos neste caminho.
O Senhor Jesus deu-nos um programa simples para
caminharmos rumo à santidade: o mandamento do amor a Deus e ao próximo.
Procuremos estar bem enraizados na amizade com Deus, agradecidos pelo Seu amor
e desejosos de O servir em tudo, e assim não podemos fazer outra coisa senão partilhar o dom do Seu amor com os outros.
E para concretizarmos o
mandamento do amor, Jesus nos indicou as obras de misericórdia. Elas são um
caminho desafiador, mas ao alcance de todos. É suficiente que cada um de nós
comece a perguntar-se: «O que posso fazer hoje para ir ao encontro das
necessidades do meu próximo?» E não importa se é amigo ou desconhecido, conterrâneo ou estrangeiro. Acreditem, fazendo-o, vocês tornam-se verdadeiramente santos, homens e mulheres que transformam o mundo vivendo o
amor do Senhor Jesus.
Fonte texto e foto: https://www.vaticannews.va/pt

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