É a Igreja católica sexista? O que revela o Sínodo dos Jovens a esse respeito?

Há uma sensação de “inevitável” por trás do canto que foi entoado durante um protesto pacífico que ocorreu no dia 3 de outubro no Vaticano. Ele atraiu atenção global enquanto os bispos e os cardeais se encaminhavam para a sessão de abertura do Sínodo dos Bispos sobre a juventude.

Organizado pela Conferência da Ordenação das Mulheres (https://www.womensordination.org/espanol), o protesto ocorreu em virtude do facto de que às mulheres não foi permitido votar nas sessões do sínodo.

“Toc, toc. Quem é? Mais da metade da igreja!”: ver Vídeo no Facebook

É uma charada contagiante, que fala das mulheres, evidentemente.

Visite qualquer igreja, em qualquer lugar, em qualquer domingo. Ninguém precisa de uma pesquisa científica para aceitar a causa.

E, homens, vocês de chapéu roxo ou vermelho que até agora na história da Igreja Católica usufruíram do luxo de se sentar diante de outros homens e se pronunciar como príncipes para cerca de 1,3 mil milhões de católicos ao redor do mundo, vocês não ficaram a saber da última novidade.

As mulheres não irão embora. No caso particular sobre o papel votante no Sínodo, vocês se contradizem. Como Josh McElwee contou recentemente, o Irmão lassalista Robert Schieler, membro votante do sínodo, perguntou a um representante oficial do sínodo antes da reunião porquê as mulheres religiosas presentes nos encontros não podem votar.

O representante respondeu: “Bem, porque você precisa ser ordenado para votar.”

Mas Schieler, sendo um irmão, não é ordenado. Então, refletiu Schieler, “a razão é realmente essa?”

Não é. A razão real não tem nada a ver com as diferenças ontológicas ou com qualquer tradição que faça sentido. Vamos chamar isso como deve ser chamado: sexismo. E a marca sexista da Igreja é mais persuasiva do que qualquer outra por estar vinculada a teologias criadas por homens que sustentam uma exegese que ignora em grande parte as mulheres que foram as primeiras a chegar ao túmulo vazio, as primeiras protagonistas da história da Ressurreição, e a confiança pouco usual (para a época) de Jesus nelas em todo o seu ministério. A cada ano que passa, essas teologias fazem menos sentido.

Talvez, com esse imenso escândalo que a cultura clerical exclusivamente masculina se submeteu, a Igreja seja forçada a mudar.

Os bispos americanos, que tropeçaram degrau pós degrau nesse escândalo, tentarão uma nova e admirável abordagem quando se retirarem por uma semana em janeiro. Esse retiro será liderado por um líder espiritual, outro homem. Eles ousariam convidar alguma forte voz feminina para o encontro? Se for o caso, nós podemos sugerir algumas.

Em algumas semanas, os bispos preencherão um grande salão em Baltimore para realizar sua reunião anual, e a única mulher presente estará em segundo plano.

Se tirássemos as telas e a votação eletrónica, poderíamos nos pegar entrando no mesmo cenário de vários séculos atrás.

A maioria das mulheres está há muito tempo cansada das declarações papais sobre o “gênio feminino”, ou de figurar como apenas a cereja do bolo, ou como interpretações de Maria, que se limitam a uma docilidade virginal mágica e ignoram a dura realidade de uma mãe que lida com um filho pregador itinerante que acaba no lado errado da lei civil e religiosa.

Toc. Toc. Mais da metade da Igreja quer entrar. E elas têm a oferecer muita coisa que falta.

Editorial de National Catholic Reporter (jornal dos EUA que se debruça sobre questões relacionadas com a Igreja Católica)
Tradução: Victor D. Thiesen, Unisinos 

Comentários