Igreja e sexualidade: os graves efeitos do celibato e da abstinência


As crenças da Igreja católica sobre a sexualidade e práticas que promovem (castidade, virgindade, abstinência e celibato) não são inócuas, mas "tremendamente negativas e destruidoras do funcionamento das melhores pessoas", explica o psicólogo Claudio Ibáñez neste texto publicado em Fe Adulta.com. Tradução de Orlando Almeida.

A ideia de que essas práticas são virtuosas", diz ele, "é um doutrinamento que gera imaturidade sócio-emocional, deprivação sexual e, certamente, uma luta culposa entre a realidade sexual humana normal e o 'dever ser sexual' inalacancável, mítico e fantasisoso" E acrescenta: "A incapacidade da Igreja para lidar com o comportamento sexual dos seus consagrados permanecerá enquanto não mudar os pressupostos falaciosos sobre a sexualidade que a sua doutrina contém, e incorporar uma visão positiva da sexualidade humana com base no melhor estado atual do conhecimento psicológico."

Este último tempo, é tempo de escuta e de discernimento para chegar às raízes que permitiram que tais atrocidades fossem produzidos e perpetuadas, e deste modo contar com soluções para o escândalo dos abusos, não com estratégias meramente de contenção –imprescindíveis mas insuficientes – mas com todas as medidas necessárias para poder assumir o problema na sua complexidade.

Eis o artigo na íntegra:
Foram necessários três séculos e meio para que a Igreja reconhecesse oficialmente, em 1992, que Galileu estava certo e que os seus teólogos estavam profundamente errados: a terra gira em torno do sol! A teimosia eclesiástica em reconhecer o seu erro condenou Giordano Bruno à morte na fogueira e Galileu à prisão perpétua em sua casa. Que a Igreja persista em acreditar, contra o que a ciência sustenta, que a abstinência sexual é o caminho para a perfeição humana e que a abstinência sexual é possível por toda a vida, é um erro de impacto inimaginável e ilimitado que está transformando muitos dos seus pastores em lobos e milhares de ovelhas em vítimas.

Igreja e sexualidade
No Catecismo da Igreja Católica (CCE na sua sigla em latim), que é o seu compêndio doutrinal, estão sitetizadas as suas crenças acerca da sexualidade (CCE 2332-2351). Segundo o CCE, a castidade (abstenção do prazer sexual) é uma virtude e todos os batizados, em qualquer situação diferente da do matrimônio (solteiros, noivos, separados, viúvos, homossexuais, etc.) devem abster-se de praticar a sexualidade. As relações sexuais são permitidas apenas entre casados e apenas para fins reprodutivos e de união. O pessoal consagrado (sacerdotes, religiosos e religiosas) deve praticar a abstinência sexual por toda a vida. Segundo o CCE, a castidade integra a sexualidade na pessoa, desenvolve o domínio de sis mesmo e imita a pureza de Cristo e, além disso, no caso dos consagrados, o celibato (que é o estado dos solteiros) facilita de maneira eminente a dedicação exclusiva a Deus (CCE 2337-2349).

Esta visão restritiva, quando não negativa, sobre a sexualidade, repousa pelo menos em dois grandes pressupostos: que a abstinência sexual é a chave para a perfeição pessoal e espiritual e que, além disso, é possível praticá-la por toda a vida. Qual é o grau de verdade que estes pressupostos têm à luz da ciência psicológica contemporânea?

Psicologia, sexualidade e sublimação
O primeiro a afirmar a importância e a força da sexualidade (libido) foi Freud, argumentando que a sua repressão acarretava grandes transtornos mentais. No entanto, postulou que, se o impulso sexual não fosse satisfeito, a energia da libido poderia ser canalizada e redirecionada para objetivos superiores, mecanismo a que edeu o nome de sublimação. Na atualidade, o conceito de sublimação, e do modelo hidráulico sobre o qual repousa, não tem respaldo na psicologia empírica contemporânea (1), a ponto de que nos estudos científicos sobre regulação emocional o termo sublimação nem sequer aparece mencionado (2).

Hoje sabe-se que os impulsos motivacionais não são sublimáveis. Para cada impulso há satisfatores especificamente apropriados. Para a fome a comida, para a sede a água, para o amor o afeto, para o sexo o acasalamento. A fome não se satisfaz observando obras de arte nem a sexualidade dedicando a vida a fins espirituais superiores.

O conceito de sublimação também é questionado pela psicologia de corte existencial. Viktor Frankl, por exemplo, sustenta que motivações como o sentido da vida e o amor não resultam da sublimação do impulso sexual, mas constituem forças primárias fundamentais por si mesmas (3). Mais recentemente, a Psicologia Positiva pôs em evidência que as virtudes, a coragem e as emoções positivas não são produto da sublimação sexual, mas que o chamado lado luminosos das pessoas existe por si mesmo, produto do valor evolutivo que teve para o sucesso da espécie humana (4 e 5).

Os impulsos e a sua força
Do ponto de vista psicológico, as necessidades, motivos ou impulsos são condições fisiológicas ou psicológicas que mobilizam o organismo, seletivamente, para um objetivo ou satisfator. Os motivos primários ou básicos (fome, sede, respirar, dormir, sexo, criação, etc.), assim chamados porque têm a ver com a sobrevivência individual e da espécie, são inatos e o seu funcinamento baseia-se em complexos mecanismos homeostáticos, neuroendócrinos e cognitivos. As nossas necessidades básicas estão geralmente satisfeitas: respiramos, ingerimos líquidos e comemos várias vezes ao dia e, a cada certo tempo, realizamos práticas sexuais. Consequentemente, não percebemos a força que estes impulsos têm, já que a força de um motivo ou impulso só pode ser observada quando ele está insatisfeito ou "deprivado", como se diz no jargão técnico.

A comissão (do governo australiano estabeleceu que) o celibato é um fator de risco, somado a outros, facilita o aparecimento de alterações psicossexuais (...) o celibato ‘faz com que se viva uma vida dupla e contribui para uma cultura de segredo e de hipocrisia e esta cultura parece contribuir para que (...) se minimiza o abuso sexual como um lapso moral perdoável’.

Os estudos motivacionais de deprivação em seres humanos, por razões éticas, são muito escassos. Há, no entanto, um estudo clássico sobre deprivação alimentar, o Minnesota Starvation Experiment (6). O seu objetivo foi investigar o impacto da fome e gerar medidas para o seu manejo na Segunda Guerra Mundial. Submeteram-se 36 voluntários, entre 22 e 33 anos, a uma restrição alimentar drástica e prolongada durante seis meses. Além do baixo peso e da magreza, os participantes começaram a apresentar transtornos emocionais: irritabilidade, agressividade, ansiedade, depressão, bipolaridade, comportamentos psicóticos e isolamento social. A comida ttransformou-se numa verdadeira obsessão. Todo o funcionamento das pessoas girava em torno da comida. Passavam horas revisando compulsivamente receitas de cozinha, olhando fotos de alimentose só pensavam nas horas das refeições. Os alimentos anódinos e escassos que recebiam eram aumentados com a água e passavam horas comendo, saboreando e lambendo os pratos. A comida aparecia nas suas fantasias e nos seus sonhos. Embora tivessem aceitado voluntariamente as regras do experimento, começaram a trapacear e a inventar jeitos para obter alimento.

Os pesquisadores tiveram que estabelecer um sistema de vigilância e de acompanhamento para garantir o cumprimento das regras. A abstinência tinha aumentado e exacerbado a força da fome, até transformar a comida numa obsessão.

A deprivação de qualquer impulso básico transforma-o em prepotente e dominante do comportamento. Na literatura científica especializada, não foi descrito qualquer conceito ou mecanismo que aponte para o fato de que tal energia pode ser redirecionada para objetivos diferentes dos especificamente relacionados com a satisfação da necessidade não satisfeita. Se a deprivação de uma necessidade básica se prolongada no tempo, acaba alterando todo o funcionamento físico e psicológico da pessoa, mesmo quando a abstinência é voluntária e a pessoa tem um sentido superior para realizá-la, como observado em greves de fome. Em caso extremo, a deprivação indefinida de uma necessidade básica termina com a morte da pessoa, como observado em muitos casos de anorexia (7).

A abstinência sexual
Todas as teorias motivacionais consideram que o impulso sexual é uma necessidade fisiológica básica que é tanto ou mais potente que o resto das necessidades, porque, mesmo não tendo a ver com a sobrevivência individual, deste impulso depende a sobrevivência da espécie.

Há situações reais em que ocorre a deprivação sexual, como, por exemplo, nas prisõs. E sabe-se que nelas, tal como o que aconteceu no estudo de Minnesota com a fome, o impulso sexual se exacerba e aparecem todas as formas, subterfúgios e expedientes imagináveis para satisfazê-lo, incluindo o abuso de poder, a violência física e psicológica e as redes de encobrimento.

A deprivação de qualquer impulso básico transforma-o em prepotente e dominante do comportamento (...). Se a de privação de uma necessidade básica se prolonga no tempo, acaba alterando todo o funcionamento físico e psicológico da pessoa, mesmo que a abstinência seja voluntária e que a pessoa tenha um sentido superior para realiza-la.

A abstinência aumenta o impulso do desejo sexual. Mas é possível a abstinência sexual sustentada ao longo do tempo? Em 1948 Alfred Kinsey informou os resultados de um estudo pioneiro e, na época, controvertido (8 e 9), porque ele trouxe à luz práticas sexuais generalizadas que se pensava que não ocorressem entre as pessoas e, muito menos, na magnitude encontrada: masturbação, relações homossexuais e bissexualismo, tanto em homens como em mulheres. Uma coisa que este relatório pôs em evidência foi que abstinência sexual permanente praticamente não existia.

Que a abstinência sexual permanente não existe ou que, pelo menos, é muito difícil, evidencia-se também nos resultados dos programas de educação sexual que promovem a "abstinência até ao casamento" como recurso para prevenir a gravidez: em vez de diminuir a gravidez na adolescência, aumentam-na (10).

Motivação e auto-atualização
Maslow afirmou que as necessidades humanas se organizam numa hierarquia de predomínio relativo, postulando que a motivação de maior influência no comportamento é a necessidade insatisfeita mais baixa na hierarquia. Na base da hierarquia estão as necessidades fisiológicas (sede, fome, respiração, temperatura, sexo, etc.). A não satisfação de qualquer uma destas necessidades básicas não só a torna predominante, com também a vida da pessoa começa a girar em torno da necessidade não satisfeita, o que impede o avanço para o amadurecimento.

A satisfação, pelo menos parcial, das necessidades básicas, incluindo a sexualidade, é a chave para o desenvolvimento da personalidade e para o avanço para a maturidade, processo que Maslow denominou auto-atualização (11).

Sexualidade no clero
A cobertura mediática que recebem os casos de abuso sexual de menores por parte de consagrados da Igreja Católica, e que já alcançam magnitude de escândalo mundial, pode deixar a impressão de que o assunto se esgota aqui e que os consagrados que não abusam de menores são efetivamente castos. De fato, a Igreja acredita e fez acreditar, sem um único estudo que assim o comprove, que a maioria dos seus consagrados são sexualmente abstinentes e vivem de forma exemplar a sua castidade. Na realidade, os estudos realizados por pessoas externas e independentes em relação à Igreja mostram um panorama muito diferente. O abuso infantil é apenas a ponta do iceberg da incontinência sexual do clero. Outras práticas, não sendo delitos, não vêm a público e ficam escondidas nos confessionários, como pecados, encobertas pelo manto do segredo.

A satisfação, pelo menos parcial, das necessidades básicas, incluindo a sexualidade, é a chave para desenvolvimento da personalidade e para o avanço para a maturidade, processo que Maslow denominou auto-atualização.

Embora não seja o único, o estudo de Richard Sipe (12), baseado em informações coletadas durante 25 anos sobre mais de 3.000 sacerdotes, é considerado o estudo de referência sobre sexualidade no clero. De fato, as suas estatísticas serviram, com impressionante precisão, para orientar a investigação jornalística, de impacto mundial, sobre abusos sexuais do clero em Boston em 2001 (este trabalho da equipe de jornalistas do The Boston Globe foi levado ao cinema pelo filme Spotlight, ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2015).

Richard Sipe conclui que abusadores de menores representam apenas 6% do clero. O que acontece com o resto? Entre 80% e 90% se masturbam e 50% dos sacerdotes praticam relações sexuais adultas, tanto hetero como homossexuais.

Produto das suas relações sexuais, muitos consagrados geram gravidezes e procriam filhos. Vincent Doyle, filho de sacerdote e fundador da Coping International.com (entidade dedicada a apoiar crianças psicologica e pastoralmente filhos de sacerdotes e ligada ao Vaticano para esses fins) estima, conservadoramente, que existem no mundo cerca de 4000 crianças filhas de consagrados.

A Conferência Episcopal da Irlanda teve de publicar uma declaração que estabelece, como responsabilidade principal dos sacerdotes que geram filhos, o cuidado pessoal, moral e financeiro da criança e da mãe. O Vaticano estuda adotar esta declaração como guia de procedimento mundial frente a estes casos.

O celibato
A maioria dos que entram na vida religiosa fazem-no em plena juventude, iludidos com a sua vocação, mas psico-sexualmente imaturos e, o que é mais grave, sem saber impacto que terá sobre eles, por um lado, a abstinência sexual por toda a vida e, por outro, a carência de um relacionamento de casal romântico, emocional e íntimo que o celibato implica. O resultado é que muitos chegam a ser intelectual e fisicamente adultos, mas socialmente, emocionalmente, afetivamente e sexualmente imaturos, transformando-se em transgressores furtivos da continência sexual.

A castidade contribuiu para gerar seres humanos mais virtuosos e de uma espiritualidade superior à dos leigos comuns que não se abstêm sexualmente e desfrutam da sua sexualidade? Onde estão, então, os benefícios da abstinência sexual e do celibato apresentados pelo CCE?

Em vez de benefícios, florescem todos os dias as consequências negativas da abstinência sexual e do celibato, consequências que impactam de maneira dramática os próprios consagrados, os que entram em contato com eles e a Igreja como instituição.

Alguns argumentam que o celibato não é a causa da crise sexual na Igreja (13). Afirma-se que nem todos os celibatários são abusadores de menores e que também se encontram abusadores entre casados, entre não-religiosos e nas próprias famílias. Estes fatos, todavia, só demonstram que o abuso sexual infantil é um fenómeno complexo que tem diferentes causas, mas não permitem excluir, como causa básica de comportamentos sexuais impróprios, uma sexualidade bloqueada e reprimida, pregada como virtude quando, na realidade, constitui o caldo de cultura de expressões delituosas ou, pelo menos, insanas, pecaminosas e problemáticas da sexualidade (14).

A incapacidade da Igreja de lidar com o comportamento sexual dos seus consagrados permanecerá até que se mudem os pressupostos falaciosos sobre a sexualidade que a sua doutrina contém, e se incorpore uma visão positiva da sexualidade humana com base no melhor estado atual do conhecimento psicológico.

A maior investigação sobre abuso sexual, e que o associa ao celibato, é a realizada na Austrália pela Comissão Real de Respostas Institucionais ao Abuso Sexual Infantil. Trata-se de uma comissão independente e de alto nível criada pelo governo australiano, encarregada de investigar, entre 2012 e 2017, dezenas de milhares de casos de abuso sexual. Esta comissão demonstrou que a maioria dos abusos ocorriam em instituições religiosas e em entidades dependentes delas e que o maior percentual de casos correspondia à Igreja Católica.

Na opinião da Comissão, o celibato é um fator de risco que, somado a outros , facilita o aparecimento de alterações psicossexuais nos consagrados. Mas não só isto, pois ao ser impossível de alcançar para muitos consagrados, o celibato "faz com que se viva uma vida dupla e contribui para uma cultura de segredo e hipocrisia e esta cultura parece contribuir para que a violação do celibato seja relevada e o abuso sexual minimizado como um lapso moral perdoável". Por isso, no seu relatório final, a comissão recomenda ao Vaticano que ponha fim à obrigatoriedade do celibato.

Confessionários de vidro
Os comportamentos sexuais impróprios dos consagrados estão deixando como consequência milhares de menores abusados, milhares de mães e filhos escondidos no anonimato, milhares de milhões [bilhões, no Brasil, ndt] de dólares pagos em indenizações pela Igreja a vítimas e centenas de investigações e processos nos Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha, Austrália, Argentina e Chile. Mas, provavelmente, o mais preocupante é a perda de confiança dos fiéis e da sociedade na Igreja e no seu clero, como vêm mostrando as pesquisas.

A perda de confiança chegou a tal ponto que em muitos colégios católicos se chegou a envidraçar os confessionários ou a determinar que as confissões sejam realizadas em ambientes expostos aos olhos do público (15). Como se pode conduzir um rebanho quando as ovelhas temem e desconfiam dos seus pastores? Que organização baseada na desconfiança pode ser sustentável?

A questão fundamental
Que a Igreja tenha acreditado, até há pouco tempo, que a Terra é o centro do universo e que o Sol gira em torno dela é, na verdade, irrelevante, intranscendente e não teve consequência prática alguma. Ao contrário, o erro de acreditar que a abstinência sexual é o caminho para a perfeição humana e espiritual, e que é possível praticá-la por toda a vida, não é uma crença inócua, mas sim tremendamente negativa e destruidora do melhor desempenho das pessoas, porque as submete a práticas como a castidade, a virgindade, a abstinência sexual por toda a vida e o celibato, que entorpecem e bloqueiam o seu normal desenvolvimento e desempenho.

A concepção de que tais práticas são virtuosas e levam ao florescimento humano, destilada de forma sistemática e permanente nas mentes dos seus consagrados, é uma doutrinação que gera imaturidade sócio-emocional, deprivação sexual e, seguramente, uma luta culposa entre a realidade sexual humana normal e o "dever ser sexual" inalcançável, mítico e fantasioso que se exige como um ideal.

O acima exposto constitui um fator de alto risco, especialmente em pessoas cujo trabalho é baseado no estabelecimento de relações interpessoais próximas e calorosas, mas assimétricas em termos de poder, influência e confiança: o cenário ideal para manipular as consciências e predar pessoas.

A questão fundamental da crise, então, é que as crenças da igreja sobre sexualidade, e as práticas institucionais promovidos por tais crenças (castidade, virgindade, abstinência e celibato), constituem um paradigma que se choca com a ciência psicológica, tal como o geocentrismo teológico se chocou com a ciência astronômica.

A incapacidade da Igreja de lidar com o comportamento sexual dos seus consagrados serámantida até que sejam mudados os pressupostos falaciosos sobre a sexualidade que a sua doutrina contém, e se incorpore uma visão positiva da sexualidade humana com base no melhor estado atual do conhecimento psicológico.

Embora a concepção geocêntrica do universo não fosse um dogma e a sua mudança não tenha causado nenhuma derrocada do sistema de crenças na Igreja Católica, os seus teólogos demoraram séculos para aceitar a realidade mostrada pela ciência. A sua visão negativa da sexualidade humana também não é um dogma. Deverão passar, novamente, três séculos e meio para que a Igreja corrija, à luz da ciência, as suas crenças acerca da sexualidade humana?

A palavra está com os teólogos... Mas não só com eles. Devido aos transcendentes e generalizados impactos negativos que o paradigma sexual da Igreja tem, a sua mudança deve ser exigida pelos próprios consagrados, pelas suas vítimas e pelas comunidades e governos dos países onde a Igreja Católica opera.

Bibliografia
1.        Reeve, J. Motivación y Emoción. McGraw-Hill, 1994.
2.        Gross, J.J. Handobook of Emotion Regulation. The Guilford Press, 2007.
3.        Frankl, V. El hombre en busca de sentido. Ed. Herder, 1979.
4.        Seligman, M.E.P. Authentic Happiness: Using the New Positive Psychology to Realize Your Potential for Lasting Fulfillment. Free Press, 2002.
5.        Ibáñez S., C. Nuestro Lado Luminoso. Ed. Inst. Chileno de Psicología Positiva, 2011.
6.        Keys, A. et al. The biology of human starvation. of Minnesota Press, 1950.
7.        Fuentes, D. La Dieta de la Muerte. Ril, 2007.
8.        Kinsey, A. et al. Sexual Behavior in the Human Male. Indiana University Press, 1948
9.        Kinsey, A. et al. Sexual Behavior in the Human Female. Indiana University, 1953.
10.    Kohler, P.K., Manhart, L.E. & Lafferty, W.E. Abstinence-Only and Comprehensive Sex Education and the Initiation of Sexual Activity and Teen Pregnancy. Journal of Adolescent Health, 42, 4,344-351. 2008.
11.    Maslow, A.H. Motivación y Personalidad. Ediciones Díaz de Santos, S. A., 1991.
12.    Sipe, A.W.Richard. Celibacy in Crisis: A Secret World Revisited. Routledge, 2003.
13.    Frawley-O'Dea, M.G. and Goldner, V. Predatory Priests, Silenced Victims: The Sexual Abuse Crisis and the Catholic Church. Routledge, 2007.
14.    Plante, T.G. Sin against the Innocents: Sexual Abuse by Priests and the Role of the Catholic Church. Praeger Publishers, 2004.
15.    Terra, Consuelo. El desafío de enfrentar el abuso sexual. Rev. Paula, 10 Mayo 2011.

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