«Para o cristão, progredir significa abaixar-se», assim comenta o Papa Francisco o Evangelho deste domingo

No Evangelho deste domingo, segundo São Marcos, «Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: "Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir." Jesus respondeu-lhes: "Que quereis que vos faça?" Eles responderam: "Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda." Disse-lhes Jesus: "Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?" Eles responderam-Lhe: "Podemos." Então Jesus disse-lhes: "Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado."

Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: "Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos.".»

Enquanto caminha para Jerusalém, Jesus fala da sua Paixão, e os discípulos, ao invés, são levados a discutir sobre quem é o maior entre eles. 

«A luta pelo poder na Igreja - observou o Papa Francisco numa homilia na Casa de Santa Marta - não é algo dos nosso dias.» Ela «começou justamente lá com Jesus». 

Todavia, «na perspetiva do Evangelho de Jesus, a luta pelo poder na Igreja não deve existir», porque o verdadeiro poder, aquele que o Senhor «com o seu exemplo nos ensinou», é «o poder do serviço».

«O verdadeiro poder é o serviço. Assim como Ele fez, que não veio não para ser servido, mas para servir, e o seu serviço foi justamente um serviço da Cruz. Ele se abaixou até à morte, à morte de Cruz, por nós, para nos servir, para nos salvar. E não há na Igreja nenhum outro caminho para seguir em frente. Para o cristão, seguir em frente, progredir significa abaixar-se. Se nós não aprendermos essa regra cristã, nunca, nunca poderemos entender a verdadeira mensagem de Jesus sobre o poder.»

Progredir, acrescentou o Papa Francisco, «significa abaixar-se», «estar ao serviço sempre». E na Igreja, afirmou, «o maior é aquele que mais serve, que está a serviço dos outros». Essa «é a regra». 

E, no entanto, disse Francisco, desde as origens e até agora tem havido «lutas de poder na Igreja», mesmo «na nossa maneira de falar».

«Quando dão a uma pessoa um cargo que, segundo os olhos do mundo, é um cargo superior, diz-se: "Ah, essa mulher foi promovida a presidente daquela associação, e este homem foi promovido..." Esse verbo, promover: sim, é um verbo bonito, deve ser usado na Igreja. Sim, mas «este foi promovido à Cruz, foi promovido à humilhação. Essa é a verdadeira promoção, a que nos 'assemelha melhor' a Jesus!»

«O caminho do Senhor é o Seu serviço: assim como Ele fez o Seu serviço, nós devemos ir atrás Dele, no caminho do serviço. Esse é o verdadeiro poder na Igreja. Eu gostaria hoje de rezar por todos nós para que o Senhor nos dê a graça de entender que o verdadeiro poder na Igreja é o serviço. E também para entender aquela regra de ouro que Ele nos ensinou com o Seu exemplo: para um cristão, progredir, seguir em frente significa abaixar-se, abaixar-se. Peçamos essa graça.»

Papa Francisco, homilia em Santa Marta, 21 de maio de 2013

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