As alterações climáticas ajudam-nos a entender o Evangelho deste domingo (Marcos 13, 24-32)


Testemunhamos, há já vários anos, mudanças profundas na Natureza. Estão a produzir-se fenómenos de magnitude desconhecida (furacões, degelo, incêndios incontroláveis…), e pequenos factos que nos surpreendem: choveu no deserto de Atacama (Chile) e mudou a biodiversidade daquela área.

Algo semelhante aconteceu quando o evangelista S. Marcos escreveu o texto: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu.
Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

Naquele tempo, as mudanças sociais, políticas e religiosas eram tão profundas que só podiam ser entendidas com a imagem de um cataclismo na Natureza. Poderia algo pior acontecer do que o Sol, a Lua e as estrelas caíram «sobre as cabeças das pessoas»?

Quando S. Marcos escreveu este texto, escrito, a cidade de Jerusalém já havia sido destruída e muitas comunidades cristãs tinham-se dispersado com medo do martírio. Em Roma e em Jerusalém, cada dia, era mais difícil ser cristão. Valeria a pena manter a fé até ao ponto de dar a vida por ela? Jesus tinha morrido como um fora da lei… Valeria a pena esperar que Ele voltasse novamente?

Quantas perguntas terão sido feitas nas comunidades cristãs! Mas os discípulos de Jesus lembravam-se das palavras e dos gestos do Senhor e, nelas, encontraram um significado para o que estavam a viver, e para encontrar forças e resistir com fé firme!

No meio do caos, e da angústia da comunidade cristã, o evangelista reacende a esperança de que Jesus Cristo (o Filho do Homem) se manifestará com poder e glória; então, começará um novo tempo, uma nova criação.

No texto de hoje, S. Marcos oferece-nos dois tipos de sinais para manter a esperança: os cósmicos e os da Natureza.

Hoje, temos muitos sinais na sociedade e no cosmos: aquecimento global, poluição do ar, detritos espaciais, o fosso entre ricos e pobres, a corrida armamentista, o enriquecimento de muitos homens e mulheres dos negócios, da política, do desporto, que esquecem o bem comum, o descomprometimento dos cidadãos das atitudes ecológicas, com base na consciência de que o planeta não nos pertence, mas como já foi dito por sábios, «foi-nos emprestado pelos nossos filhos e netos», etc.

Eles são sinais óbvios da deterioração progressiva da qualidade humana e do cuidado do universo. São muitas as vozes que nos convidam à conversão e à esperança.

Até que o Filho do Homem venha, para começar uma segunda criação, a manutenção deste mundo, da Casa Comum, está nas nossas mãos, nos pequenos gestos de cada dia e nas manifestações, denúncias e protestos.

Hoje, Jesus diz-nos para dar frutos como a figueira, frutos de justiça e misericórdia, para transformarmos a terra e torná-la uma casa que fornece alimento, amor, trabalho e dignidade para todos.

Marifé Ramos González, em Fé Adulta

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