«Queridos filhos,
só perceberão os pais, e principalmente a mãe, passados
muitos anos, ou quando vocês mesmos tiverem filhos.
E mesmo assim, é-lhes sempre difícil aceitar as
características que quase todas as mães têm em comum.
Na verdade, a partir do momento em que damos vida a um ser,
parte de nós deixa de nos pertencer. Como se nos tivessem roubado um braço ou uma
perna que tem vida própria.
E por mais que queiramos…
não ser exageradas nos medos,
exigentes na educação,
sofredoras com a mais pequena queda,
investigadoras dos amigos e dos seus hábitos,
– a lista é infinita –,
algo toma conta de nós e viramos uma pilha de nervos e
preocupações e desgastes!
E tentamos, ah! Se tentamos não ser assim! Só que é mais
forte do que nós este medo na boca do estômago de que qualquer coisa de mal
lhes possa acontecer.
Temos pesadelos quando ainda estão no jardim escola e mal
sabemos que a partir daqui é sempre a piorar!
Chega a adolescência, chegam as motas e carros e as mentiras
que por vezes não têm importância, mas que para nós são o fim do mundo!
Este amor enche-nos os dias. Os poros. As veias. O coração
e a alma.
É o amor maior que alguma vez vamos ter, ou sentir,
e amamos cada filho por igual, sendo eles todos diferentes.
E depois de anos sem dormirmos, ou pelas febres, os vírus,
as otites, de repente, sem que nos tenhamos apercebido como o tempo voou, temos
na nossa frente homens e mulheres que iniciam a sua própria caminhada.
Tudo o que podíamos fazer está feito.
Ou não? Não sabemos!
Ninguém sabe o que está totalmente certo ao educar um ser
humano. Podemos pelo menos esperar ter ensinado o que de mais importante tem a
vida:
respeitar os outros.
Aceitar as diferenças.
Ser justo.
Ser correto.
Amar com paixão.
E quando pensávamos com uma tristeza que queremos esconder dentro
de nós, que já não precisavam mais de um abraço ou um afago, vêm os netos e o
mundo transforma-se em algo maravilhoso!
Uma vez mais.»
Luísa Castel-Branco, em Destak

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