O Papa Francisco expressou-se sobre o comentário à Palavra de Deus para a edificação da comunidade paroquial (a homilia) no número 135 da Exortação Apostólica Evangelii gaudium, onde afirma: «A homilia é o ponto de comparação para avaliar a proximidade e a capacidade de encontro de um Pastor com o seu povo. De facto, sabemos que os fiéis lhe dão muita importância; e, muitas vezes, tanto eles como os próprios ministros ordenados sofrem: uns a ouvir e os outros a pregar. É triste que assim seja. A homilia pode ser, realmente, uma experiência intensa e feliz do Espírito, um consolador encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e crescimento.»
A partir desta afirmação, Johann Ignaz Pock, teólogo austríaco, compôs as seguintes cinco sugestões, que foram publicadas em katholisch.de.
Ser apaixonado
A anunciação do Evangelho requer pregadores animados e apaixonados. O entusiasmo e o envolvimento não são apenas estimulantes para a comunidade, mas também para aqueles que pregam. Eu também sinto a mesma alegria pela homilia? Sinto-me feliz, como pregador, por conseguir transmitir algo da minha fé? Infundem-me alegria os rostos cheios de expectativa e uma viva comunidade litúrgica? A Boa Nova precisa de uma proclamação apaixonada e de pregadores animados. As homilias não devem ser pacotes espirituais de pílulas para dar sono e nem mesmo discursos piedosos ou mornos. É mais um testemunho, que não deveria ser um martírio para os ouvintes, mas algo que expresse o fogo da fé do pregador.
Conhecer a Bíblia
A Bíblia representa o ponto de partida central e de referência para as homilias. A comunidade tem o direito de saber que são biblicamente fundamentadas. Portanto, não são lições científicas. As pessoas devem perceber facilmente que o pregador conhece a Bíblia. A própria Bíblia com seus géneros literários oferece um grande exemplo: parábolas, fábulas, crónicas, cartas, discursos jurídicos, textos legais, sermões morais e histórias de milagres, ou seja, toda uma retórica de escritos que convidam a mergulhar na leitura e estimulam a imitação. Mesmo a esse respeito, vale o princípio da retórica: que não percebe nada, nada entrará em sua cabeça. Pregar geralmente significa empreender uma viagem de descoberta na Sagrada Escritura, considerar as diferentes traduções e se deixar surpreender pela Bíblia.
Dizer o essencial
As homilias deverão ser curtas e atraentes, como recomendado pelo Papa Francisco. A "brevidade" depende de cada situação. O Papa Francisco fala cerca de 10 minutos. Os hábitos de escuta das pessoas mudaram. As pessoas vão à missa, a uma celebração, e apenas uma parte dela é composta pela pregação. Por outro lado, as homilias breves precisam de mais preparação do que os discursos longos.
O que torna uma homilia atraente é a sua clareza e a compreensão dos pensamentos. Um discurso capaz de despertar imagens na mente dos ouvintes é mais agradável do que as longas e abstratas explicações.
Autenticidade
Uma palavra mágica na formação para a pregação é "autenticidade" ou – de forma mais familiar - «não atirar barretes para o ar a ver se cai em alguém», mas demonstrar com exemplos, a começar por si mesmo, que a Palavra de Deus é viva, atual e prática. As homilias precisam de ser sentidas, porque, mais do que falar de Deus, o que se pretende é falar com Deus.
Prestar atenção à atualidade
De acordo com a teoria da comunicação, um pregador precisa de se adaptar ao auditório e não o contrário. E a Palavra de Deus é tanto mais útil para o momento particular do dia em que a homilia é proferida, quanto mais se fizer referência aos acontecimentos da paróquia, do país, do mundo.

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