A Ceia de Natal começou na Europa graças aos cristãos. Nesse dia, as portas ficavam abertas para os viajantes e mendigos

Hoje em dia, pelo menos no próspero Ocidente — porque, noutras partes do mundo, ainda morrem, todos os anos, muitos e muitos milhares de pessoas por malnutrição —, fazemos, em geral, quatro refeições: pequeno-almoço (mas, no Brasil, chamado café da manhã), almoço, lanche e jantar. 

Ali a meio da manhã, e sobretudo nas escolas, também há quem faça outra refeição, por vezes chamada reforço (o reforço, é claro, do pequeno-almoço). 

Nem sempre, porém, foi assim. Uma refeição hoje quase esquecida é a ceia. Antigamente, era a última refeição do dia. Agora, em que ocasiões usamos a palavra? Apenas em duas, pode dizer-se: quando nos referimos à Última Ceia, a última refeição, e refeição festiva, que Jesus fez em Jerusalém com os doze Apóstolos, e a ceia de Natal, um costume instituído na Europa no século iv.

Ceia não rima com desperdício
A palavra vem do latim cœna ou cena, com o significado de «refeição noturna». Já para os Romanos era a principal refeição, que tomavam numa sala a que davam o nome de cenáculo. 

A ceia de Natal, para afinarmos pelo tom da quadra, foi um costume que se começou a enraizar na Europa graças aos cristãos. Neste dia, deixavam abertas as portas de suas casas para que viajantes e mendigos pudessem compartilhar fraternalmente pelo menos uma refeição por ano.

Infelizmente, como já ouvia os meus pais dizerem, quem dá, dá uma vez, e quem precisa, precisa sempre. Está, contudo, na nossa mão mudar isto, pois até aquele que se julga o mais pobre pode, muitas vezes, dar a outros ainda mais necessitados. Não são estes, porém, que têm de se esforçar ainda mais, mas os que têm e podem partilhar, porque, na sociedade de desperdício em que vivemos, o que muitos consomem de mais serviria para suprir largamente as carências dos muitos que consomem de menos.

Helder Guégués, em revista Audácia

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