Os dias 17 a 24 de dezembro formam, dentro do tempo do Advento, o período da preparação próxima para o Natal do Senhor. Segundo uma antiga tradição da Igreja, que remonta aos séculos VII e VIII, nestes dias somos convidados a recitar as Antífonas Maiores ou Antífonas do Ó.
Estas antífonas são aclamações a Cristo precedidas pelo vocativo "Ó", de onde o seu nome. Constituem um resumo da teologia do Advento: expressam o desejo de salvação da humanidade e a expectativa pela vinda de Jesus Cristo, invocado com títulos messiânicos do Antigo Testamento.
Atualmente a Igreja nos propõe estas antífonas na Liturgia das Horas, acompanhando o Cântico Evangélico das Vésperas, o Magnificat (Lc 1, 46-55), bem como na aclamação ao Evangelho da Missa nos dias 17 a 23 de dezembro.
Em seu conjunto, as antífonas são um acróstico: se tomarmos a primeira letra de cada antífona em ordem inversa no original em latim (Emmanuel, Rex, Oriens, Clavis, Radix, Adonai e Sapientia), forma-se a expressão latina “ERO CRAS”, isto é, "estarei amanhã", ou "virei amanhã". Mais uma vez as antífonas recordam a expectativa pela iminente vinda do Senhor. Segue abaixo o texto das Antífonas do Ó, em português e em latim. Que possamos rezá-las como forma de preparar melhor nosso coração para celebrar o Natal do Senhor que se aproxima.
Segue abaixo o texto das Antífonas do Ó, em português e em latim. Que possamos rezá-las como forma de preparar melhor nosso coração para celebrar o Natal do Senhor que se aproxima.
17 de Dezembro: Ó Sabedoria
O Sapientia, quæ ex ore Altissimi prodisti, attingens a fine usque ad finem, fortiter suaviterque disponens omnia: veni ad docendum nos viam prudentiæ.
Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, e atingis os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro: Vinde ensinar-nos o caminho da prudência!
18 de Dezembro: Ó Adonai
O Adonai, et dux domus Israel, qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti, et ei in Sina legem dedisti: veni ad redimendum nos in bracchio extento.
Ó Adonai, guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: Vinde salvar-nos com o braço poderoso!
19 de Dezembro: Ó Raiz de Jessé
O Radix Iesse, qui stas in signum populorum, super quem continebunt reges os suum, quem gentes deprecabuntur: veni ad liberandum nos, iam noli tardare.
Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, levantado em sinal para as nações! Ante vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!
20 de Dezembro: Ó Chave de Davi
O Clavis David, et sceptrum domus Israel, qui aperis, et nemo claudit; claudis, et nemo aperit: veni et educ vinctum de domo carceris, sedentem in tenebris et umbra mortis.
Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre: Vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que nas trevas e na sombra da morte está sentado.
21 de Dezembro: Ó Sol Nascente
O Oriens, splendor lucis aeternæ et sol justitiæ: veni, et illumina sedentes in tenebris et umbra mortis.
Ó Sol nascente, justiceiro, resplendor da luz eterna: Vinde e iluminai os que jazem entre as trevas e na sombra do pecado e da morte estão sentados!
22 de Dezembro: Ó Rei das Nações
O Rex Gentíum, et desideratus earum, lapisque angularis, qui facis utraque unum: veni, et salva hominem, quem de limo formastí.
Ó Rei das nações, Desejado dos povos, Pedra angular, que os opostos unis: Vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra.
23 de Dezembro: Ó Emmanuel
O Emmanuel, Rex et legifer noster, exspectatio gentium et Salvator earum: veni ad salvandum nos, Domine Deus noster.
Ó Emanuel, Deus-conosco, nosso Rei Legislador, Esperança das nações e dos povos Salvador: Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus.

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