Como podemos celebrar o Natal, dizendo «Que fazer? Pobres sempre os teremos entre nós...»?

«A desigualdade entre os seres humanos começa cedo. Uns nascem em berços de ouro, outros debaixo das pontes. O que lhe é próprio (à pessoa, à sociedade) é não se render ao infortúnio, nem a nível individual, nem a nível social. Quando alguém não pode, precisa de quem o ajude e, para se realizar como humano, precisa de ajudar. Mas, sem uma dimensão política em que seja possível procurar uma vida de qualidade, em instituições justas, a nível individual e global, não há manta que chegue para todos. É verdade que ninguém dispõe de soluções prontas a servir a dignidade humana de todos. Mas ninguém devia dispensar a pergunta: eu não posso mesmo fazer nada?» Até porque quando Jesus cita Deuteronómio (Dt 15, 11), em Marcos (Mc 14, 7), os ouvintes entendiam bem a frase completa: «Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra; por isso, eu te ordeno: Abre generosamente a mão ao teu irmão, ao pobre e ao necessitado que estiver na tua terra.»

Frei Bento Domingues, em jornal Público, 25.11.2018

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