«Com o Senhor Jesus a mudança não é só de mau para bom, é de bom para melhor. Com Jesus, o melhor está sempre para vir»


– «Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. Jesus e os seus discípulos foram também convidados», lemos no Evangelho de hoje (João 2, 1-11) – assim começa a catequista Matilde a  sua catequese. E continua:

– Também vos quero fazer um convite.

– Vai casar? – quiseram saber Inês e Cristina.

– Oh, não, pelo menos para já. Quero convidar-vos para um retiro...

O Joel protesta. Argumenta que o retiro não é para a sua idade. Que é uma seca. Que se destina a cotas

A Cristina, mais aberta a novidades, pergunta, com os seus olhos claros muito abertos, o que é que, afinal, se faz num retiro. 

A Inês, sem perder tempo, responde-lhe:
– Nada! Ficas só calada, a ouvir coisas da Bíblia, depois andas sozinha a pensar naquilo...

Matilde ia deixando correr o debate. 

Nisto, Filipe intervém:
– Mas assim até parece que estamos de castigo: não podemos falar com ninguém, nem rir, nem nada…

Matilde decide atalhar:
– Um retiro é um encontro pessoal de cada um com Jesus. Se um amigo for ter convosco e vos pedir uma conversa mais íntima, acham que podem tê-la na presença de outros amigos e num ambiente de grande confusão e ruído?

A resposta foi unânime:
– Não!

– Jesus precisa de se encontrar connosco a sós, para que nós nos encontremos com Ele. E como este diálogo se dá no coração, é preciso remover de lá o barulho e tudo o que atrapalhe a comunicação – diz docemente a catequista

Mas Filipe ainda se mostrava muito renitente. Até que Cristina, ávida de novas experiências, o desafiou:
– E dizem que as raparigas é que falam muito… Tu estás cheio de problemas em ficar dois dias com o pio cortado, he, he!

– Ok, ok, convenceste-me! – replicou o Filipe.

Matilde pegou no episódio das Bodas de Caná para ilustrar o seu convite para o retiro.

Perguntou ao grupo da catequese o que sabiam deste casamento para o qual Jesus, sua Mãe e os seus amigos foram convidados.

À vez, lá foram dizendo o que sabiam: que a malta tinha bebido o vinho todo e para o fim da festa já não havia nenhum; que a Mãe de Jesus, atenta, tinha pedido ao seu Filho para transformar a água em vinho, porque vinho era sinal de alegria, de esperança; que os que andavam a servir fizeram o que Jesus disse e surgiu um vinho muito melhor do que o anterior, ao contrário do costume, que era servir o vinho melhor primeiro; que foi o milagre que Jesus operou que salvou a festa e livrou os noivos da vergonha...

Matilde sugeriu-lhes um exercício: imaginar que eram eles a pequena comunidade de convivas dessa boda. Que questões gostariam de pôr? Que dúvidas a esclarecer? Pediu-lhes que pegassem nos tablets e que fossem à Bíblia_app, uma aplicação disponível para PC, smartphones e tablets em que é possível obter respostas rápidas a perguntas por temas.

– Como quem narra a história é João – prossegue Matilde –, será este jovem evangelista que vos irá responder.

Joel e Cristina não têm tablet, mas não importa. Juntam-se ao Filipe e à Inês. E começam a explorar.

A Cristina é logo a primeira a interrogar João:
– Porque é que o casamento é ao 3.º dia? O texto diz: «Ao terceiro dia, celebrou-se um casamento em Caná da Galileia» (Jo 2, 1).

A resposta de João aparece no ecrã: «Porque escrevi o relato depois da ressurreição de Jesus. Foi ao terceiro dia que Ele ressuscitou e nós, como Seus discípulos, temos de viver a ressuscitar e não com cara de Sexta-Feira Santa que nunca acaba, isto é, alegres!»

– Mas – continua Inês – Jesus respondeu à sua Mãe que não tinham nada que ver com isso. Não percebo a preocupação dela…

O tablet volta a soar:
– O que Jesus respondeu foi: «Que temos nós com isso?», mas o significado não é o que deste. O que Ele queria dizer era: «Queres que eu resolva a situação sem que eles façam a parte deles, sem que colaborem em nada?» É que até os milagres requerem que cada um faça a sua parte!

– Então – insiste o Joel –, o maior milagre é, por exemplo, a nossa mudança de atitude…

– Sim, porque com Jesus a mudança não é só de mau para bom, é de bom para melhor. Com Jesus, o melhor está sempre para vir…

– Pois é – remata o Filipe. – Mudar a mentalidade, o coração, a maneira de olhar para nós e para os outros... tal como a água em vinho! Eu já mudei quanto à ideia do retiro. Agora, Jesus já pode fazer a parte dele!

Pensa nisto
Limito-me a assistir aos acontecimentos ou fujo a sete pés?
Jesus é mágico, curandeiro ou Salvador? Porquê? 
Como é que posso ser «vinho novo», ou seja, uma presença de alegria e esperança?
Vale a pena dar sempre o meu melhor? Porquê?

Maria José B. Mendonça, em revista Audácia

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