É possível ler cristãmente o «Código de honra das mulheres Celtas»?

Nos capítulos 10 e 11 do Livro dos Atos dos Apóstolos, S. Lucas mostra-nos o Apóstolo S. Pedro a ver-se confrontado com um dilema: Deus escolheu/amava só os judeus e convertidos ao Cristianismo, ou também escolheu os gentios para os associar a Si na Vida Eterna?

Ele, sendo judeu, tinha, por formação, a ideia da separação entre os puros e os impuros, entre o Povo Escolhido e os outros. Ideia que era comum aos cristãos de Jerusalém (ver capítulo 11).

Quando S. Pedro foi confrontado, pelo Espírito Santo, com o pedido de um gentio para ser Evangelizado, ele interrogou-se: «Como é que Deus se pôde manifestar aos gentios?»

Este gentio era Cornélio, centurião romano, que «piedoso e temente a Deus, como aliás toda a sua casa, dava largas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus» (Act 10, 1-48).

E S. Pedro, em casa de Cornélio, vai dizer: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz aceção de pessoas, mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é agradável» (Act 10, 34-35)

E concluiu: «Deus também concedeu aos pagãos o arrependimento que conduz à Vida!»

Nós, fundamentados na experiência das primeiras comunidades cristãs, e seguindo o ensinamento do concílio Vaticano II, podemos dizer que «Deus também concedeu aos pagãos a sabedoria que conduz à Vida!», essa sabedoria, dom do Espírito Santo que «Inspira as pessoas como agir e falar inteligentemente sobre situações concretas de sua vida ou da sua comunidade, levando-o a decidir acertadamente e de acordo com a vontade de Deus no dia a dia, na vida pessoal, no matrimónio, no trabalho, na educação dos filhos, nos relacionamentos com os irmãos e na sua vida de fé.»

A sabedoria dada por Deus a cada pessoa é já uma orientação sobre como viver cristãmente. De modo que, quando se dá o anúncio explicito do Evangelho, essas pessoas podem aderir-Lhe, porque não é desconhecido – só não aderirão se a sua vontade pessoal for contra.

E essa oposição não é algo estranho ou incomum. Jesus teve os seus maiores confrontos com os judeus que conheciam bem as Escrituras.

Ler cristãmente o «Código de honra das mulheres Celtas»
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do II milénio a.C..

Os celtas viviam em uma sociedade harmónica, que não era nem matriarcal, nem patriarcal, mas as tarefas e as responsabilidades na aldeia eram realizadas de forma complementar.

As mulheres de origem celta eram criadas tão livremente quanto os homens. Era-lhes dado o direito de escolherem os seus parceiros, e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam. Eram ensinadas a trabalharem para que pudessem garantir o seu sustento, bem como eram excelentes amantes, donas de casas, mães e guerreiras.

Este texto tem origem desconhecida e surge como provável código de honra das mulheres celtas:

«Ama teu homem e segue-o, mas somente se ambos representarem um para o outro o que a Deusa Mãe ensinou: Amor, companheirismo e amizade.

Jamais permitas que algum homem te escravize. Tu nasceste livre para amar, e não para ser escrava.
Jamais permitas que o teu coração sofra em nome do amor. Amar é um ato de felicidade, porquê sofrer?
Jamais permitas que teus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca te fará sorrir.

Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado. O corpo é a morada do espírito, porquê mantê-lo aprisionado?

Jamais permitas que o teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu nem sequer sabes.

Jamais permitas que o teu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para ti.

Jamais permitas ouvir gritos em teus ouvidos. O Amor é o único que pode falar mais alto.

Jamais permitas que paixões desenfreadas te transportem de um mundo real para outro que nunca existiu.

Jamais permitas que outros sonhos se misturem com os teus, fazendo-os virar um grande pesadelo.

Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente.
Jamais permitas que teu útero gere um filho que nunca terá um pai.
Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tu tivesses nascido inválida.
Jamais te ponhas linda e maravilhosa a fim de esperar por um homem que não tem olhos para te admirar.

Jamais permitas que teus pés caminhem em direção a um homem que só vive fugindo de ti.

Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos teus olhos te dominem, fazendo arrefecer a força que existe em ti.

E, sobretudo, jamais permitas que tu mesma percas a dignidade de ser mulher.»

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