Precisamos realmente dos outros para chegar onde queremos?

Queiramos ou não, no dia a dia, prestamos conta da nossa vida aos outros. Todavia, primeiro que tudo, temos de prestar conta da nossa existência a nós mesmos. 

Queres ser livre e responsável? Começa por gostar de aprender com os outros e a ser responsável pelas tuas reflexões e escolhas!

Dependentes desde que nascemos
Enquanto dependentes dos nossos pais, prestamos conta dos nossos atos e escolhas o tempo todo. As crianças correspondem aos pais, pois estão sob a responsabilidade deles. Somos programados a agir dessa forma, desde o nosso primeiro ato consciente, entre humanos. 

Com base nos seus conhecimentos e experiências, os nossos pais  e educadores auxiliam-nos e orientam-nos no processo de aprendizagem, reflexão e tomada de decisão e construção da nossa personalidade.

Infelizmente, esse processo não é livre de interferências. Por estarmos sujeitos a julgamentos, no domínio dos conceitos de certo e errado, lidamos com a ‘obrigação de agradar’. O lado mau de tudo isso é que nos viciamos na necessidade de aceitação.

Dependentes, porque damos poder aos outros
Conquistamos independência financeira, mas continuamos a prestar contas. O papel que cabia aos nossos pais na infância, se estende a muitos outros na vida adulta. Um pouquinho ali, um montão aqui. Quando notamos, já estamos lá, justificando o que não precisaria se o ser, alimentando o poder dos outros sobre nós.

Quando damos conta, o problema está instalado. Então, percebemos que tão importante quanto a independência financeira, é a emancipação mental da necessidade de agradar os outros. ‘Os outros’ comporta uma multidão, cada um com as suas vontades, defeitos e qualidades. É um problema sem solução, é impossível atender às expectativas de tanta gente. Queres ser livre? Começa por ser responsável pelas tuas reflexões e escolhas!

Na busca contínua por aplausos, não aceitamos o fluxo natural da vida, prejudicando a nossa jornada de aprendizagem como seres humanos. Mesmo com toda inovação e tecnologia desenvolvida na área de navegação por satélite, quando estamos a conduzir num trajeto desconhecido, com auxílio de GPS, uma hora ou outra, entramos em uma rua sem saída. 

Livres, porque aceitamos ajuda e agimos com responsabilidade 
Assim somos nós, mesmo com toda orientação e conhecimento acumulados no decorrer da vida, estamos sujeitos ao erro, pois tendemos a explorar o desconhecido. Se a regra for apenas seguir em frente, a dado momento vamos ficar parados. Acionar a marcha-atrás ou inverter a marcha possibilitará o próximo movimento. Recuperando a liberdade de movimento, temos a oportunidade de escolher se retomamos ou mudamos de caminho.

Quantas vezes, pensar sobre ‘o que os outros vão dizer’, definiu a nossa decisão sobre algo? Ao prestar contas sem refletir, sem exercer a liberdade, colocamo-nos na posição de devedor, assumimos, até, dívidas que não existem, com inúmeros credores.

Se queremos parar de sofrer, comecemos por deixar de oprimir e de ser oprimidos, de interferir nas escolhas dos outros e de dar ao outros um poder absoluto sobre as nossas escolhas. 

Se queremos ser livres, aceitemos dos outros a ajuda e pensemos e ajamos por nós.


Fonte: Albertina Costa, em linkedin.com

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