Hoje mais do que nunca, precisamos de Empatia. Desde que o bairro da Jamaica "saltou" para os órgãos de comunicação e para as redes
sociais, que os conceitos de Xenofobia e Empatia voltaram como tema às minhas
aulas e às conversas de amigos. Precisemos os conceitos.
De "Xénia" a xeno-fobia
Xénia é a antiga palavra grega
que indicava o conceito de hospitalidade. Era sagrada e protegida por Zeus.
Quando um estrangeiros aparecia à porta, o dono da casa devia acolhê-lo ou
enfrentava a ira dos deuses. Daqui depreendemos que esta palavra pré-cristã,
revela que o acolhimento é um valor profundamente enraizado na cultura
europeia. Hoje encontrámo-la "envolvida" com um outro termo: xeno-fobia.
Ou seja, medo do estrangeiro, do hospede, do desconhecido.
Empátheia é a palavra grega que dá origem à nossa Empatia. Formada
por En, "em", mais Pathos, "emoção, sentimento". É uma
forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma
ideia ou uma coisa, ou seja, a capacidade de compreender a perspetiva das
outras pessoas e a habilidade de experimentar as reações emocionais por meio da
observação da experiência alheia. No fundo, a capacidade de se colocar no lugar
do outro.
Mais do que defender a posição de um ou do outro lado da
"barricada", sou capaz de colocar-me no lugar daqueles que
desconheço? Quer sejam policias, quer sejam habitantes do bairro! Não tenho
dúvida alguma que a maioria dos conflitos nascem da ignorância. O desconhecido
mete-me medo e qual é a minha reação primária? Pôr-me à defesa!
Esta fobia é alimentada pelos meios de comunicação, muitas vezes
através das ditas Fake News, contagiando toda a sociedade. Aliás os
"espertos da comunicação" sabem quais as técnicas eficazes para
ativar as emoções do público, agindo sobre o inconsciente. E a raiva e o medo
são duas "teclas" muito sensíveis.
Wulf Dorn, autor alemão que depois de 20 anos como psicoterapeuta
tornou-se escritor, escreveu o romance Phobia. Ele escreveu sobre o
medo de tudo o que de inesperado pode acontecer-nos na vida; das inquietudes do
homem contemporâneo, inclusive do terrorismo.
Segundo Dorn, a nossa sociedade
sofre cada vez mais de ansiedade e novos medos apareceram no nosso quotidiano.
Além do medo da doença ou da perda de trabalho, está o terrorismo, a comida
envenenada pelos químicos, a chegada de vírus de outros continentes… «O meu
parecer é que se trata de um efeito colateral da chamada "era da
informação". O mundo globalizado tornou-se num lugar muito pequeno e nós
sabemos muito mais hoje do que no passado. O fluxo de informação é cada vez
maior. Por vezes, mais do que aquele que a nossa mente está preparada para
elaborar e digerir. E assim aumentam os nossos medos».
Temos necessidade de uma nova humanidade, marcada por uma
solidariedade viva e autentica com e para todos. No nº 188 da Evangelii Gaudium, o Papa Francisco escreveu: «Embora um pouco desgastada e, por vezes,
até mal interpretada, a palavra "solidariedade" significa muito mais
do que alguns atos esporádicos de generosidade; supõe a criação duma nova
mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos
sobre a apropriação dos bens por parte de alguns.»
A Empatia que precisamos é esta capacidade de colocar-nos no lugar
do outro e pensarmos se viveríamos nas mesmas condições, sejam elas de
habitação, educação, acesso ao emprego, trabalho justamente remunerado…
Precisamos de uma Empatia que nos coloque no lugar do mais pobre, do mais
desprotegido, do inocente. Só assim construiremos um mundo novo com uma
mentalidade comunitária. Os cristãos têm em Jesus Cristo o maior exemplo de
Empatia: O que foi a Encarnação, senão um Deus que se colocou na pele e não só
no lugar do outro?
Votos de uma semana empática.
Paulo Victória, em iMissio

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