«Há congregações religiosas com linguagem, estilo e organização "tão jurássica"», disse o presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal

O “maior desafio” da Vida Consagrada é abandonar a linguagem, o estilo e a organização “jurássica” em que algumas congregações permanecem, disse o presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) à Agência ECCLESIA.

«O desafio maior é tornar a Vida Consagrada significativa para as novas gerações. Usamos uma linguagem antiga, ritos e rituais que não dizem muito às gentes de hoje e as estruturas de governo estão nas mãos das pessoas mais idosas», referiu o padre José Vieira.

Para o superior provincial dos Missionários Combonianos, «algumas congregações têm muita dificuldade a passar às gerações mais novas o carisma, porque têm numa linguagem, um estilo de vida e organização tão jurássica que as pessoas não se sentem atraídas».

O presidente da CIRP considera que as congregações religiosas não devem estar tão preocupadas com a “continuidade” e com a “organização”, mas devem libertar-se de “elementos que foram adquiridos pelas tradições e pelo tempo” e preocuparem-se apenas em “defender e alargar a presença de Cristo”.

“Evangelho pede-nos uma vida simples, sem grandes estruturas que, no encontro com Jesus, nos ajudem a encontrar os que vivem connosco e os que estão fora e precisam da nossa ajuda”, sublinhou o padre José Vieira.

O presidente da CIRP considera que a linguagem é um dos “grandes desafios” para a Vida Consagrada, a exigir por exemplo mudanças de páginas na internet institucionais que “não atraem ninguém”.

Para o padre José Vieira, os jovens querem “histórias de vida”, não “sermões”, com uma linguagem “simples e escorreita” e para falar com a novas gerações “tem de ser através das redes sociais”.

A irmã Graça Guedes, vice-presidente da CIRP, insiste na necessidade de “inovar na Vida Consagrada”, nomeadamente na organização da vida em comunidade.

“Muitos dos abandonos na Vida Consagrada devem-se a fragilidades na forma como se vive a fraternidade”, referiu a superiora provincial das Religiosas do Amor de Deus.

“Temos de olhar esse aspeto da Vida Consagrada e perceber o que podemos fazer para que a vida fraterna seja mais cálida, mais acolhedora, que traga aos seus membros a alegria do Evangelho e realize as pessoas na entrega a Jesus Cristo”, sublinhou a vice-presidente da CIRP.

“Não podemos estar a inventar a Vida Consagrada: Temos de gostar verdadeiramente do que estamos a fazer, amar verdadeiramente esta vocação e isso vai transparecer”, acrescentou.

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