«Não estou de acordo com permitir o celibato opcional. (...) Sou «fechado»? Talvez. Mas não me sinto, diante de Deus, de tomar tal decisão»
Pergunta de Caroline Pigozzi: «Santo Padre, durante quatro dias vimos todos estes jovens rezar com grande intensidade. Pode-se imaginar que alguns, dentre todos estes jovens, queiram entrar na vida religiosa; pode-se pensar também que um certo número tenha a vocação. Talvez alguém esteja hesitando ao pensar que, sem se poder casar, é um caminho difícil. É possível pensar que na Igreja Católica, seguindo o rito oriental, Vossa Santidade permitirá a homens casados tornarem-se padres?
Na Igreja Católica, no rito oriental, podem fazê-lo; e faz-se a opção – celibatário ou casado – antes do diaconado.
Mas agora, com a Igreja Católica do rito latino, pode-se pensar que Vossa Santidade abrirá a idêntica decisão?
De rito latino... Vem-me à mente aquela frase de São Paulo VI: «Prefiro dar a vida antes que mudar a lei do celibato». Veio-me à mente e quero dizê-la, porque é uma frase corajosa, num momento mais difícil do que o atual (nos anos ‘68/’70).
Pessoalmente, penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. Em segundo lugar, não estou de acordo com permitir o celibato opcional. Haveria qualquer possibilidade apenas nos lugares mais remotos; penso nas ilhas do Pacífico... Haveria necessidade pastoral, e o pastor deve pensar nos fiéis. Há um livro do Padre Lobinger [o Bispo Fritz Lobinger, Preti per domani (Emi, 2009)] que é interessante. Está-se ao nível de discussão entre os teólogos; não há decisão minha. A minha decisão é: celibato opcional antes do diaconado, não. É uma coisa minha, pessoal… Eu não o farei: isto fique claro. Sou «fechado»? Talvez. Mas não me sinto, diante de Deus, de tomar tal decisão. Voltando ao Padre Lobinger, disse ele: «A Igreja faz a Eucaristia e, a Eucaristia, fá-la a Igreja». Mas onde não há Eucaristia nas comunidades – imagine, Caroline – nas ilhas do Pacífico…
…na Amazónia, também...
... talvez lá... em tantos lugares... Diz Lobinger: Quem faz a Eucaristia? Naquelas comunidades, os «dirigentes», digamos, os organizadores daquelas comunidades são, diretamente, diáconos, irmãs ou leigos. E Lobinger diz: pode-se ordenar um ancião, casado. É a tese dele: pode-se ordenar um ancião casado, mas para exercer apenas o munus sanctificandi, isto é, celebrar a Missa, administrar o sacramento da Reconciliação e dar a Unção dos Enfermos. A ordenação sacerdotal confere três munera: regendi (governar, o pastor), docendi (ensinar) e sanctificandi. Isto recebe-se com a ordenação. O bispo daria apenas as faculdades para o munus sanctificandi: esta é a tese. O livro é interessante. Talvez isso possa ajudar a pensar no problema. Acho que o problema deve ser perspetivado neste sentido: onde houver um problema pastoral, devido à falta de sacerdotes. Não digo que se deve fazer, porque não refleti, não rezei suficientemente sobre isso. Mas os teólogos devem estudar. Um exemplo é o Padre Lobinger, que era um fidei donum, na África do Sul... É já idoso. Dou este exemplo para indicar os pontos onde isso deve ser feito. Falava com um oficial da Secretaria de Estado, um bispo, que teve de trabalhar num país comunista no início da revolução; quando viram como se encaminhava aquela revolução – na década de ’50, mais ou menos –, os bispos ordenaram secretamente camponeses, bons, religiosos. Passada a crise, trinta anos depois, o caso foi resolvido. E ele referia-me a emoção por ele sentida quando, numa concelebração, vira estes camponeses, com as mãos de camponeses, vestir a alba para concelebrar com os bispos. Isto aconteceu na história da Igreja. É um assunto que é preciso estudar, repensar e rezar.
…há aqueles protestantes, que se tornaram católicos.
Sim, a senhora alude àquilo que fizera o Papa Bento. É verdade; tinha-me esquecido disso: «Anglicanorum coetibus», os sacerdotes anglicanos que se tornaram católicos e mantêm a vida [conjugal], como se fossem orientais. Lembro-me duma audiência de quarta-feira em que vi muitos de clergyman [cabeção] tendo as mulheres com eles e os filhos levados pela mão dos padres... E explicaram-me a situação. É verdade! Obrigado por mo ter lembrado.

Comentários
Enviar um comentário