Os direitos humanos e o diálogo inter-religioso são fundamentais para a paz e o desenvolvimento, diz representante da Igreja no Conselho de Direitos Humanos da ONU

O Secretário para as Relações com os Estados, Monsenhor Paul Richard Gallagher interveio na 40.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Defendeu que um quadro jurídico internacional de direitos humanos com base na dignidade inerente a toda pessoa humana é um «pré-requisito para a promoção da paz duradoura e também a ferramenta mais eficaz para a promoção do desenvolvimento humano integral» que não pode ignorar a liberdade de religião e de consciência, do diálogo inter-religioso.

Direitos humanos fundamentais ameaçados por "novos direitos"
No seu relatório, o arcebispo recordou que a proteção e promoção dos direitos humanos é um dos pilares das Nações Unidas e o fundamento ético das relações internacionais hoje. «O avanço da sua universalidade e indivisibilidade» é, portanto, um objetivo importante da atividade da Santa Sé em fóruns internacionais. Infelizmente - destacou Mons. Gallagher - hoje eles são colocados em perigo por uma" fragmentação sistemática e progressiva da natureza da pessoa humana que abre caminho aos chamados 'novos direitos'' muitas vezes em conflito entre si, conforme relatado pelo Papa Francisco.
Este «incapacidade de reconhecer a nossa natureza comum, que é o fundamento sobre o qual assentam todos os direitos – advertiu – resulta, em última instância, na violação dos direitos humanos fundamentais e no declínio preocupante da humanidade.»

O aumento das violações da liberdade religiosa é preocupante
Mas preocupa a Santa Sé também o aumento significativo das violações do direito à liberdade de religião e fé. Este direito fundamental – recordou Mons. Gallagher – não pode ser restrito à esfera privada, mas, como afirmou a declaração conciliar Dignitatis Humanae, também deve ser reconhecido «quando os crentes agem em comunidade», com o único limite colocado pela ordem pública. Implica, portanto, o direito das próprias comunidades religiosas de celebrarem coletivamente o culto, de escolherem os seus líderes religiosos, de divulgar a sua mensagem através de toda a comunicação social moderna e tradicional. Mas também implica «a possibilidade de os crentes contribuírem, segundo as suas opiniões religiosas, para o debate social, político e cultural e para a ordem internacional».

Liberdade e diálogo inter-religioso chaves para alcançar a Agenda 2030
O secretário para as Relações com os Estados sublinhou que a liberdade de religião e de consciência é, juntamente com a promoção do diálogo entre as religiões, uma condição fundamental para a realização dos objectivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: «Se quisermos ter êxito e implementar os compromissos solenes feitos há quatro anos e passar da decisão para a ação, “temos de ir além da linguagem da economia e estatística” e considerar as dimensões morais, espirituais e religiosas que não podem ser ignoradas sem danos graves para a pessoa humana e o seu pleno desenvolvimento.» É este o sentido – assinalou o arcebispo – do histórico documento conjunto assinado em 3 de fevereiro, em Abu Dhabi, pelo Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, segundo o qual «o diálogo, a compreensão, a difusão da cultura da tolerância, da aceitação do outro e da convivência entre os seres humanos contribuiriam significativamente para a redução de muitos problemas económicos, sociais, políticos e ambientais que afligem grande parte do género humano».

Fonte: Vatican News

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