Laura Sagnier, coordenadora do estudo As mulheres em Portugal, hoje - ver resumo aqui: https://www.ffms.pt/mulher-em-portugal, e na íntegra, aqui: As mulheres em Portugal hoje - quem são, o que pensam e o que sentem disse à Rádio Renascença que «um dos capítulos em que a mulher está menos feliz com a sua vida é o trabalho», sublinhando que, apesar de estarem sobrecarregadas com as tarefas de casa e de isso ser um factor para a infelicidade, a maioria das mulheres diz que é no trabalho que se sentem mais infelizes, porque «estão a trabalhar muito, a passar muitas horas no emprego» e associam o trabalho «apenas a dinheiro».
O mais importante no trabalho? «Salário»
Quando se pergunta a uma mulher o que é mais importante no seu emprego, a resposta é «o salário» e a possibilidade de «conciliar o trabalho com a sua vida pessoal».
Mais importante que o salário? «Filhos»
Quando uma mulher tem filhos pequenos, este último fator da conciliação com a vida pessoal chega a pesar mais que o salário.
Em comparação com a Espanha, Laura Sagnier afirma que em Portugal as mulheres são mais infelizes no trabalho, justificando esta maior taxa de felicidade da mulher espanhola pelo facto de «trabalharem menos uma hora e receberem melhor».
As mulheres e os homens
Laura Sagnier também afirma que a evolução da participação dos homens nas tarefas domésticas é muito lenta; que, embora hoje em dia os homens já participem mais nas tarefas domésticas, «esta evolução ocorreu tão devagar, que, se continuamos a este ritmo, demoraremos entre cinco a seis gerações para que fique equilibrada a repartição das tarefas domésticas».
A mulher portuguesa em números
Foram inquiridas 2428 mulheres, entre 18 e 64 anos de idade, que utilizam regularmente a internet – ou seja, uma amostra que representa 2,7 milhões de mulheres):
51 % estão infelizes com o trabalho
44 % dizem que o trabalho está abaixo ou muito abaixo das expectativas
Dois terços auferem menos de 900 euros líquidos por mês
Um terço não tem vínculo contratual estável
26 % trabalham mais de 40 horas semanais
Tem cada vez menos tempo para si (54 minutos por dia)
33 % estão infelizes – continua a não existir uma repartição justa do trabalho doméstico: elas realizam 74 % das tarefas domésticas, contra os 23% do companheiro.
O tempo despendido em trabalho não pago (6h12m em tarefas domésticas e filhos) é quase tanto como em trabalho pago (7h18m, em média)
Ao longo dos anos, as mulheres vão-se tornando pouco a pouco menos liberais.
As mulheres católicas estão a diminuir a favor das ateias e agnósticas.
A imensa maioria das mulheres declara que se sente demasiado cansada, sempre ou quase sempre.
Uma em cada dez mulheres declara tomar diariamente medicamentos para a ansiedade, para os distúrbios do sono ou antidepressivos.
Laura Sagnier conclui que as mulheres acumulam muito trabalho durante vários dias e anos da sua vida, principalmente aquelas que têm mais do que um filho ou que ainda têm filhos pequenos, o que faz com «fiquem sem tempo para elas, porque não só trabalham muito como ficam com pouco tempo para descansar».
Todos estes factores, desde a desequilibrada divisão das tarefas domésticas até à situação de trabalho pago das mulheres, justificam que estas se considerem quase sempre «cansadas, esgotadas, resignadas».
Ver uma brilhante infografia do jornal Público, aqui: As mulheres em Portugal hoje - quem são, o que pensam e o que sentem

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