Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. […] Descendo com os apóstolos, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão. […] Erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer: "Felizes vós... "» (Lc 6, 17. 20-26).
«Ser feliz!» Não há outra meta mais importante na vida de todos nós.
É tão importante que se converteu num desejo que repetimos de maneira muito frequente e, de forma especial, às pessoas que mais amamos.
Proferimos votos de felicidade em qualquer evento, em todos os aniversários, no início de cada ano...
É um desejo profundo, talvez o desejo mais íntimo de nós mesmos.
«Que sejas feliz!» Que melhor do que isso podemos desejar a alguém, seja ele(ela) quem for?
O desejo de felicidade do Evangelho
Jesus afirma categoricamente: “Felizes sois vós!”
Jesus, ao “descer à planície”, promulga o seu programa “com” vida, fundado não numa ética de “deveres e obrigações”, mas numa ética de “felicidade e ventura”.
Aqui está a surpreendente novidade do projeto oferecido por Jesus. Sem sombra de dúvida, o significado das bem-aventuranças e, portanto, do programa de Jesus, é algo mais humano, mais próximo e mais ao alcance de ser entendido e vivido por qualquer pessoa de boa vontade.
O Evangelho, a “boa notícia”, é o tesouro que enche o ser humano de uma felicidade indescritível. Com efeito, a primeira característica que aparece nas bem-aventuranças é que o programa de Jesus para os seus é um "programa de felicidade”. Cada afirmação de Jesus começa com a palavra “makárioi”, “ditosos”. Essa palavra, significa, em grego, a condição de quem está livre de preocupações e atribulações quotidianas.
As bem-aventuranças substituem os mandamentos que proíbem por um anúncio que atrai para a felicidade. E a promessa de felicidade não é para depois da morte. Jesus fala da felicidade nesta vida.
Jesus é o bem-aventurado
Antes de proclamar as bem-aventuranças, Jesus vive-as intensamente. Melhor, elas são o Seu autorretrato. Jesus personaliza as atitudes dos bem-aventurados: é o pobre, aquele que se comoveu diante da dor e misérias humanas, que expressa uma fome e sede de plenitude e humanização, que é incompreendido e perseguido por causa dos seus sonhos.
O Jesus que os Evangelhos nos apresentam deixa transparecer, permanentemente, um sentimento sereno e agradecido diante da vida. Ele vive apaixonado pelo Reino do Pai; Ele é aberto e próximo das pessoas, com uma enorme capacidade de relação, de maneira especial com os mais pobres e excluídos. Mostra uma infinita confiança nas pessoas que encontra, seja qual for sua situação existencial. Ele é o portador definitivo de boas notícias. O Seu Evangelho da Salvação é Alegria. O Seu tempo é tempo de alegria; é a festa das bodas. Jesus convida-nos a entrar na nova vida de felicidade e fraternidade. As bem-aventuranças são o caminho da felicidade.
Jesus, ao proclamar “bem-aventurados” os pobres, os famintos, os que choram, os que são perseguidos... jamais quis sacralizar a dor humana. Pelo contrário.
Jesus, ao proclamar “bem-aventurados” os pobres, os famintos, os que choram, os que são perseguidos... jamais quis sacralizar a dor humana. Pelo contrário.
São bem-aventurados, sim, os pobres, porque, vazios de apegos e cheios de esperança, anunciam o sonho de Deus para a humanidade, uma nova sociedade baseada na solidariedade e na partilha;
são bem-aventurados, sim, os famintos, porque trazem nas entranhas a fome de liberdade e sabem que o ser humano e o mundo carregam infinitas possibilidades de crescimento;
são bem-aventurados, sim, os que choram porque suas lágrimas demonstram que eles ainda não perderam a sensibilidade, que eles sentem o mundo como injusto e que, por isso, são verdadeiramente os únicos a sonharem, a buscarem e a lutarem por um mundo novo;
são bem-aventurados, sim, os que são perseguidos porque seguem corajosamente a estrela do Reino e são sinal de grande transformação realizada por Deus.
O impulso de felicidade contido nas bem-aventuranças
As bem-aventuranças revelam-nos que somos habitados por um impulso que nos torna “buscadores de felicidade”.
A sociedade de consumo que invadiu tudo, realça a felicidade como a meta imediata de nossas buscas, algo ao qual temos direito e que depende de factores externos. Esta felicidade é passageira, pois quando a alcançamos, invade-nos de novo a insatisfação, a inquietude, o ressentimento, a inveja... e de novo empreendemos a nossa busca. Ou seja, a felicidade escapa-nos quando a procuramos “fora”, como fim em si mesma, para saciar nosso ego insaciável.
A felicidade nasce dentro de nós: daquilo que sentimos, que valorizamos, que vivemos...
Por isso, as bem-aventuranças não são algo externo, mas atitudes que dão plenitude aos nossos corações.
A chave da felicidade está em desatar as potencialidades daquilo que somos, e de tudo o que é.
Fonte: Centro Loyola

Está muito interessante
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