O perdão é uma das grandes características das pessoas
generosas. Elas oferecem-no e recebem-no com abundância.
Perdoar é uma parte quase inevitável de todas as relações
que mantemos. Concedê-lo e pedi-lo é uma liberdade, uma opção que lhe confere
um valor enorme, já que costuma envolver um esforço maior do que as suas
alternativas: não pedi-lo ou não concedê-lo.
Muitas vezes, sentimo-nos magoados pelos nossos pais,
colegas da escola ou outras pessoas. E, por vezes, não sabemos usar o perdão
com eles, ficamos sentidos, e o nosso primeiro impulso é afastarmo-nos,
desligarmo-nos dessas pessoas por alguma coisa que elas nos fizeram. Outras
vezes, por medo ou vergonha, apontamos o dedo para acusar os outros. Custa-nos
admitir a nossa culpa, pedir perdão e reconciliar-nos.
Perdoar como Jesus
perdoa
Jesus, como está escrito nos evangelhos de S. Mateus (Mt 5,
31-47) e S. Lucas (Lc 6, 31-36; 12, 57-59), ensina-nos outra maneira de agir: temos
de saber perdoar a todos, pois é perdoando que somos perdoados. Neste
exercício, não nos podemos esquecer de que nós também somos frágeis, cometemos
erros, ferimos as pessoas que estão à nossa volta. É uma sensação muito boa
quando alguém nos diz: «Eu te perdoo.»
Há pessoas que não perdoam porque pensam que, desse modo,
não libertam a outra pessoa da culpa, mas a realidade é que a pessoa que mais
sofre é aquela que não sabe perdoar. Não fazê-lo implica que a dor permaneça no
seu interior, transformando-se numa espécie de veneno descontrolado capaz de
causar um enorme dano de maneira imprevisível.
O Papa Francisco explica que «confessar tanto a Deus como
aos irmãos que somos pecadores» nos ajuda a compreender que as nossas ofensas
«nos separam de Deus e nos dividem também dos nossos irmãos», porque «o pecado
separa, divide».
Missionários do
perdão
Sabendo perdoar, estamos a ser verdadeiros cristãos. O
mundo precisa tanto de perdão, de reconciliação. E todos nós temos essa missão
de ser missionários do perdão, em casa, na escola, no trabalho, em todo o lado.
Temos de espalhar este perdão. Mas não o podemos fazer de qualquer maneira,
temos de o fazer seguindo o exemplo de Jesus, que, ao longo da sua vida, perdoou
usando uma misericórdia inesgotável para com todos.
Cinco passos para exercitar
o perdão
1. Reconhecer que fomos ofendidos ou que ofendemos
2. Tomar a decisão de perdoar e de pedir perdão, apesar dos
sentimentos ou dos desejos
3. Expressar o perdão por meio de palavras ditas ou escritas
4. Não comentar com outros, mas só com os visados, os erros
da pessoa que ofendeu
5. Permitir que Deus mude os nossos sentimentos e cure as nossas
emoções negativas
P.e Ricardo Gomes, missionário comboniano,
em revista Audácia de abril de 2019
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