Evangelho de Jesus Cristo segundo São João (Jo 8, 1-11): «Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?"
Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: "Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra." Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão.
Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.
Jesus ergueu-Se e disse-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?"
Ela respondeu: "Ninguém, Senhor."
Disse então Jesus: "Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar."»
Palavra da salvação (proclamada para nós hoje, no V Domingo da Quaresma).
As pedras que atiramos aos outros, hoje
O espírito da acusação e de humilhação do outro, é um espírito de morte. Este mau espírito do nosso tempo, surge também, com muita frequência, na Igreja, nas suas comunidades e grupos.
Por meras aparências, suspeita-se do outro, pensa-se mal dele, condena-se no coração, marginalizamo-lo.
Diante do desapreço generalizado é preciso deixar ressoar em nosso interior as palavras de Jesus: «Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.»
As “pedras na mão” são fáceis de encontrar hoje, nas nossas vidas. Hoje são as pedras do WhatsApp, twitter, Facebook, etc., das mensagens preconceituosas, das fake-news..., que bloqueiam o futuro das pessoas através da crítica sem piedade, do desprezo que destrói, da indiferença que congela as relações...
E a arrogância também hoje tem raízes no nosso interior; manifesta-se no nosso pensar e agir quotidianos. Ela é a base das nossas intransigências, dos nossos preconceitos, dos nossos dogmatismos, de nossas críticas amargas, dos comentários maldosos... A arrogância mora no nosso desprezo e nas nossas ironias. Ela nos paralisa.
O que faz Jesus na mesma situação?
O convite de Jesus a reconhecer o nosso pecado é a única via para que essas pedras não caiam sobre nenhum inocente e, ao mesmo tempo, nós possamos encontrar a possibilidade da transformação e da mudança.
Enquanto nos habite este “espírito mau”, nada bom, nem grandioso poderá ser construído.
Uma sociedade que “empequenece” os seus homens e mulheres não poderá ter futuro.
Uma igreja que “empequenece” os seus membros, através de um moralismo e um legalismo doentio, também não poderá ser testemunha do Evangelho; um grupo, dentro da Igreja, que faça o mesmo, estará a trair o modo compassivo e acolhedor de Jesus.
Jesus misericordioso dá àquela mulher o poder de ser autora da sua nova existência. Perdoada, irá ao encontro dos outros para testemunhar a experiência que viveu: «Vai e não peques mais.»
Queira Deus que nos “beatifiquemos” uns aos outros “em vida!”
Só reconhecendo, com um olhar apreciativo, o profundo, o que há de bondade no coração, engrandeceremos os outros e faremos que a nossa sociedade, a nossa comunidade, seja cada vez mais habitada pelo Reino de Deus. A cultura do encontro, do acolhimento, do apreço pelo outro, faz chegar o Reino de Deus.

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