Jovens promovem pacto de não agressão entre comunidades cristãs e muçulmanas


Dois jovens centro-africanos – Fabrice Dekoua, cristão, e Ibrahim Abdouraman, muçulmano – decidiram promover um pacto de não-agressão entre as populações dos bairros de Castores (de maioria cristã) e Yakite (de predominância muçulmana), na capital da República Centro-Africana, Bangui, para tentar mostrar que é possível pôr fim à violência que assola o país e cria tensão localmente.

«Para parar tudo o que pode causar violência contra o outro, tomamos a iniciativa de assinar um acordo. Este acordo representa o compromisso que temos nos nossos corações, e foi escrito em papel ", disse Fabrice Dekoua, em declarações à Africa News.

Fabrice também explicou que o acordo pretende, desde já, o retorno das pessoas às respetivas casas, dado que muitas delas fugiram após o início do conflito, em 2013.

Em 2013, o presidente François Bozizé foi deposto por um golpe de Estado fomentado por uma coligação de grupos armados de maioria muçulmana, chamada Seleka. Desde então, muitos grupos armados lutam entre si na República Centro-Africana.

Mais recentemente, em 2018, após o ataque à paróquia de Nossa Senhora de Fátima, pelo grupo muçulmano armado Force, que matou pelo menos dezasseis cristãos, as comunidades Castores e Yakite vivem num ciclo de violência e retaliação.

Na edição África do jornal La Croix, um cartoon do desenhador Eric mostra um líder católico e outro muçulmano. Perante o pedido para que assinem o acordo de paz, um dos senhores da guerra diz que assina mas quer “um inimigo” do seu tamanho…


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