Presidente da Itália, Sergio Mattarella, em consonância com o Papa Francisco, afirma que «a Europa deve preocupar-se mais com o destino das pessoas.»

O Presidente da Itália, Sergio Mattarella, concedeu uma entrevista  a Andrea Tornielli e Andrea Mondaao, do Vatican News. Nela, em consonância com o Papa Francisco, afirma que «a Europa deve preocupar-se mais com o destino das pessoas.»

Um excerto:
O Papa Francisco disse: “A primeira, e talvez a maior, contribuição que os cristãos podem dar à Europa de hoje é recordar que ela não é uma coleção de números e instituições, mas é feita de pessoas.” Quanto é importante reencontrar o sentido da Europa como comunidade e o que pode ser feito para que as novas gerações o redescubram?

No mês de janeiro, em Berlim, o presidente alemão Steinmeier apresentou-me a ideia de um apelo para a participação no voto nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Eu aderi rapidamente a essa iniciativa e, recentemente, apareceu esse documento, assinado por todos os presidentes das Repúblicas da União (pode ler-se, na íntegra, aqui: Apelo comum pela Europa pelos 21 Presidentes da República da União Europeia). Está escrito que a integração europeia é a melhor ideia que tivemos no nosso continente. Essa afirmação tão decisiva parte da convicção de que a União não é um comité de interesses económicos, regulamentado pelo critério do dar e do ter, mas é uma comunidade de valores. Essa convicção é a única que corresponde, realmente, à escolha histórica dos fundadores dos primeiros organismos comunitários. Isso é percebido, talvez às vezes sem notar, mas com efetividade sobretudo por duas gerações: a dos mais idosos, que lembram qual era a condição da Europa antes daquela escolha, e a dos mais jovens, que podem viajar livremente de Trapani a Helsinki e de Lisboa a Estocolmo. 

Todos deveríamos refletir o que provocou duas terríveis guerras mundiais, travadas acima de tudo na Europa; e o que representa viver numa Europa dividida em duas pela cortina de ferro, pelo muro de Berlim, pela angústia, sempre presente, de um conflito nuclear devastador. Acredito que isso esteja bem compreendido pelas novas gerações, aquelas dos nativos digitais, do roaming europeu, dos voos low cost e do Erasmus. Jovens que, mesmo sem declarar, se sentem europeus além de cidadãos do próprio país. Aderem a esta “Casa Comum”. 

Isso não quer dizer que na União tudo vai bem. A percepção das suas instituições, por parte de largas faixas do eleitorado europeu, não é sempre positiva, mesmo se normalmente é o egoísmo dos Estados – e não das instituições – a frear o sonho europeu. Por certos aspectos, o andamento da vida da União – inclusive pelo freio colocado por parte de alguns países – dá a impressão de estar parado, como numa administração ordinária; quase apagada da condição alcançada, como se o desenho europeu fosse já completado. Isso tem ofuscado sensivelmente o desenho histórico, a perspectiva e a tensão ideal da integração. 

O Papa Francisco, com sabedoria, indica o centro da questão. A Europa deve recuperar o espírito dos primórdios. Deve se preocupar mais com o destino das pessoas. Deve garantir sempre maior colaboração, igualdade de condições, crescimento económico, mas isso se realiza realmente somente com um crescimento cultural civil, moral.»

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