Trindade e cultura do encontro
Uma das expressões mais constantes nos discursos e na
prática do Papa Francisco é o apelo a viver a “cultura do encontro”, inspirado
na comunhão amorosa da Trindade: «Vivei a mística do encontro: a capacidade de
ouvir atentamente as outras pessoas; a capacidade de procurar juntos o caminho,
o método, deixando-vos iluminar pelo relacionamento de amor que se verifica
entre as três Pessoas divinas e tomando-o como modelo de toda a relação
interpessoal.»
O mistério da Trindade Amorosa conduz-nos à contemplação da
realidade na qual vivemos e inspira-nos a uma proximidade e um conhecimento
mais profundo do mundo ao qual somos enviados, em primeiro ligar a família, e,
mais amplamente, a sociedade.
O mais importante na festa da Santíssima Trindade é o que
Jesus nos quis transmitir: para fazer uma verdadeira experiência de Deus, cada
pessoa precisa de aprender a olhar para dentro de si mesmo (onde mora e brota
em frutos o Espírito), a olhar os outros (e ver neles o Filho de Deus) e a
olhar o transcendente (o Pai).
«Irmãos:
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus,
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus,
por Nosso Senhor Jesus Cristo.
A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado»
A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado»
(Carta aos Romanos, 5, 1-5).
Para os primeiros cristãos, a Trindade é, ao mesmo tempo e
sem contradição: Deus que é origem, princípio, fonte de tudo (Pai); Deus que se
faz um de nós (Filho); Deus que se identifica com cada um de nós (Espírito). A
Trindade não se fecha em si mesma, mas é relação que transborda e se visibiliza
na criação inteira.
Também S. Agostinho assim sintetizou esse mistério
trinitário: “Aqui temos três coisas: o Amante, o Amado e o Amor”; um Pai
Amante, um Filho amado e o vínculo que mantém unidos os dois, o Espírito de
Amor. Sendo presença visível desta Comunidade de Amor, Jesus quer que entremos
nesse mesmo fluxo do Amor, expansivo e vital.
A festa do Deus-Trindade, do Deus dos encontros, é
especialmente significativo para a o contexto atual, carregado de desencontros,
de ruturas e profundas divisões:
– Para quem crê na Trindade, os vínculos, a comunicação e a
partilha são especialmente significativos;
– Quem se deixa habitar pela Trindade, acolhe a diversidade
e a reciprocidade como nutriente de sua maneira de estar e de viver no mundo;
– Entrar no fluxo de vida da Trindade significa
comprometer-se com a vida e não com a cultura de morte;
– Trabalhar com a Trindade implica viver em rede
humanizadora, valorizando o diálogo, a
solidariedade, a colaboração e a interdependência.
– O Deus comunhão, que se revelou em Jesus, fundamenta e
ilumina a dignidade e liberdade do ser humano, capacita-o para viver relações e
interações transformadoras na vida social e na Igreja.
– Na contemplação do Pai, do Filho e do Espírito, aprende-se
a amar, a relacionar-se, a sentir-se família com todos.
– Portanto, a contemplação do mistério do Deus Trindade
ativa em nós uma “maneira trinitária de ser e de estar” no mundo. A Trindade
nos expande e faz-nos mais universais.
Texto completo aqui: Centro Loyola

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