No Antigo Testamento (AT) da Bíblia, a primeira vez que se fala do Espírito é nos dois primeiros capítulos do livro do Génesis. Aí, Ele é definido como poder divino, força vital e os seus sinais são a respiração, o sopro, o vento.
Todos os autores dos 46 livros do Antigo Testamento apresentam o Espírito Santo como sabedoria, que atua nas pessoas, revelando-lhes o pensamento e o sentir de Deus. Nos versículos 38 e 39 do livro do Génesis, vemos isso quando o faraó fala de José aos seus servos: «Poderemos nós encontrar outro homem como este, cheio do espírito de Deus?» E a seguir diz a José: «Visto que Deus te revelou tudo isso, não há ninguém tão inteligente e tão sábio como tu.»
É pelo Espírito que uns se tornam escritores dos livros sagrados. O Espírito faz que outros componham salmos; outros constitui-os como profetas, juízes ou reis.
Uma curiosidade: a expressão «Espírito Santo» surgiu ainda no AT. Foi quando os hebreus, cumprindo com receio a regra de não pronunciar o nome de Deus em vão, substituíram Espírito de Deus por Espírito Santo.
No Novo Testamento a revelação do Espírito Santo faz-se em dois momentos: por Jesus nos quatro Evangelhos, e pelos autores das cartas e restantes escritos, num total de 27 livros.
É São João que em quatro capítulos do seu Evangelho apresenta a mais longa catequese de Jesus acerca do Espírito Santo, do capítulo 14 ao 18. Podes começar a ler aqui: Evangelho de Jesus Cristo segundo S. João, capítulo 14. Fala Dele como pessoa da Santíssima Trindade, da Sua relação com o Pai e o Filho, e da Sua missão na Igreja.
E foi S. Paulo que sintetizou este ensinamento na saudação que é proclamada em cada Eucaristia: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!» (2 Cor 13, 13).
Protagonismo do Espírito na nossa vida
O Espírito Santo que conduziu
Jesus à sua quaresma (ler Mt 4, 1-11) também nos conduz a nós. Ele é Espírito
da Verdade e, por isso, é o protagonista da conversão (ler Jo 14, 17).
Não
conseguiríamos rezar sem ser inspirados por Ele.
Ninguém faz jejum e caridade
em favor dos outros se o Espírito Santo não lembrar que os laços que nos unem
como humanidade são o sermos filhos do mesmo Pai do Céu e irmãos em Jesus.
O
Espírito Santo está associado ao sacramento da reconciliação. Ele é invocado pelo
sacerdote, enquanto faz o sinal da cruz, na fórmula de absolvição para o perdão
dos pecados: «Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo.»
É o Espírito que nos ajuda a resistir às tentações e a não
praticar más ações.
É Ele que o sacerdote invoca em cada Eucaristia, em memória
da Quinta-Feira Santa, para que o pão e o vinho se tornem corpo e sangue de
Jesus.
Foi o Espírito que ressuscitou Jesus.
É o Espírito que continua a dar
coragem aos cristãos – como deu aos Apóstolos – para anunciar o Evangelho.
Fernando Félix, em revista AUDÁCIA

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