O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, revogou a pena de
suspensão a divinis do padre Martins Júnior, segundo revela uma nota
emitida pela diocese:
«Diocese do Funchal - Comunicado:
No dia vinte e sete de julho de 1977, o bispo D. Francisco
Santana, decretou a suspensão a divinis do Rev.do Padre Martins Júnior. Tendo
em consideração que, passados estes anos as razões primeiras que levaram à
aplicação e manutenção dessa pena deixaram de existir, o Bispo do Funchal,
depois de ouvido o Rev.do Padre Martins Júnior e os Conselhos Episcopal e dos
Consultores, decidiu revogar a referida pena de suspensão.
O Rev.do Padre Martins Júnior foi nomeado na mesma ocasião
Administrador Paroquial da Ribeira Seca.
O bispo do Funchal vai visitar a Paróquia no dia 14 de julho
às 17 horas.
O decreto entrou em vigor no dia 16 de junho deste mesmo
ano.
Funchal, 16 de junho de 2019
Solenidade da Santíssima Trindade»
O padre Martins Júnior é natural de Machico, onde nasceu em
1938 (tem 81 anos). Foi ordenado padre a 15 de agosto de 1962, celebrando a sua
primeira missa nesse mesmo 15 de agosto de 1962, na igreja Matriz de Machico,
freguesia de Machico. A 22 de Junho de 1969 foi nomeado pároco da Ribeira Seca.
O padre Martins foi suspenso em 1977 na sequência de
divergências com o bispo da altura, D. Francisco Santana. A intensa atividade
política e postura reivindicativa, após o 25 de abril, terá levado a que entrasse
em rota de colisão com o então bispo do Funchal, numa região em que a Igreja
Católica e a corrente política de Alberto João Jardim sempre foram próximas. O bispo Francisco Santana já lhe
tinha retirado, em 1974, a paróquia da Ribeira Seca por ter recusado entregar a
chave da igreja.
Desafiando a diocese, o sacerdote
continuou a celebrar missa porque “o povo assim quis”, conforme disse à agência
Lusa em 2016. Ele recusou ceder o controlo da paróquia à diocese segundo
exigência do bispo e, durante 42 anos, ele e a população mantiveram ativa aquela
comunidade religiosa. Neste tempo, a paróquia funcionou como uma espécie de
“enclave” não reconhecido oficialmente pela diocese, já que o sacerdote recusou
dar o controlo da paróquia aos sucessivos bispos – depois de D. Francisco
Santana, passaram pelo Palácio Episcopal D. Teodoro Faria e D. António
Carrilho, sem haver qualquer alteração no estatuto de Martins Júnior. Neste
tempo, foram vários o episódios de muita tensão na paróquia. A igreja chegou a
estar cercada pela PSP e os paroquianos nunca aceitaram outro padre, apesar de
nomeado pelo bispo. Martins Júnior foi sempre o padre, celebrou missa, fez
casamentos e batizados.
No âmbito do atividade política, Martins Júnior foi
presidente da Câmara Municipal de Machico pela UDP (1989) e pelo PS (1993) e
deputado na Assembleia da Madeira. Foi também professor em diversas escolas
madeirenses.
Em 2010, a diocese do Funchal proibiu
a visita da imagem peregrina de Fátima à igreja da Ribeira Seca pelo facto de a
mesma estar “indevidamente ocupada”, por um padre suspenso a divinis.
D.
Nuno Brás tomou posse como 33.º Bispo da Diocese do Funchal no passado dia 17
de fevereiro de 2019, bastando-lhe, por isso, quatro meses para resolver um
assunto que perdurava já há quatro décadas.
Quando tomou conta da diocese do
Funchal este ano, o novo bispo declarou que ia dar atenção aos “casos
particulares e pessoais” existentes na Igreja madeirense. «Hão de ser tratados
particularmente e pessoalmente», disse, então, o prelado madeirense.
Em Ribeira Seca, esta decisão de D. Nuno foi motivo de
comemoração.
Com agências Lusa e Ecclesia,
jornais Observador, Diário de Notícias Madeira, Expresso
e Rádio Renascença
Foto 1 de https://sensoconsenso.blogspot.com


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