S. Pedro e S. Paulo são a versão contrária de Caim e Abel - oito curiosidades para entender o Dia de S. Pedro e S. Paulo
Com alegria celebramos os Apóstolos Pedro e Paulo. Exemplos de fé, coragem e amor, eles enfrentaram perseguições e deram a vida por Jesus Cristo. Pedro recebeu a missão de conduzir a Igreja e por isso é reconhecido como o primeiro papa. Paulo, ex-perseguidor dos cristãos, levou o Evangelho a muitas pessoas e lugares.
Porquê a Igreja celebra São Pedro e São Paulo no mesmo dia?
Estes seis factos ajudam a entender o porquê, esclarece Antoine Mekary, em ALETEIA:
1. Santo Agostinho de Hipona expressou que São Pedro e São Paulo eram “um só” num sermão do ano 395: «Na realidade, eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo seguiu-o. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos.»
2. Ambos foram martirizados em Roma
Foram detidos na prisão Mamertina, também chamada Tullianum, localizada no foro romano da Roma Antiga. Além disso, foram martirizados nessa mesma cidade, possivelmente por ordem do imperador Nero.
São Pedro passou seus últimos anos em Roma liderando a Igreja. Seu martírio aconteceu no ano 64. Foi crucificado de cabeça para baixo, a pedido próprio, por não se considerar digno de morrer como seu Senhor. Foi enterrado na colina do Vaticano e a Basílica de São Pedro está construída sobre seu túmulo.
São Paulo foi preso e levado a Roma, onde foi decapitado no ano 67. Está enterrado em Roma, na Basílica de São Paulo Extramuros.
3. São fundadores da Igreja de Roma
Na homilia da Solenidade de São Pedro e São Paulo em 2012, o Papa Bento XVI assegurou que “a sua ligação como irmãos na fé adquiriu um significado particular em Roma. De facto, a comunidade cristã desta Cidade viu neles uma espécie de antítese dos mitológicos Rómulo e Remo, os irmãos a quem se atribui a fundação de Roma”.
4. São padroeiros de Roma e representantes do Evangelho
Na mesma homilia, o Santo Padre chamou esses dois apóstolos de padroeiros principais da Igreja de Roma. “Desde sempre a tradição cristã tem considerado São Pedro e São Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”, detalhou Bento XVI.
5. São a versão contrária de Caim e Abel
O Santo Padre também apresentou um paralelismo oposto com a irmandade apresentada no Antigo Testamento entre Caim e Abel.
“Enquanto nestes vemos o efeito do pecado pelo qual Caim mata Abel, Pedro e Paulo, apesar de serem humanamente bastante diferentes, e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de serem irmãos, tornando possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava”, relatou o Santo Padre Bento XVI.
6. Porque Pedro é a “rocha” e São Paulo também é coluna do edifício espiritual da Igreja
São Pedro foi escolhido por Cristo, que disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.» Ele, humildemente, aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, apesar de suas fragilidades humanas.
Os Atos dos Apóstolos ilustram seu papel como líder da Igreja depois da Ressurreição e Ascenção de Cristo. Pedro dirigiu os apóstolos como o primeiro Papa e assegurou que os discípulos mantivessem a verdadeira fé.
São Paulo foi o apóstolo dos gentios. Antes da sua conversão, era chamado Saulo, mas depois do seu encontro com Cristo e conversão, prosseguiu o caminho para Damasco, onde foi batizado e recuperou a visão. Adotou o nome de Paulo e passou o resto da sua vida anunciando o Evangelho sem descanso às nações do mundo mediterrâneo.
“A iconografia tradicional apresenta São Paulo com a espada, e sabemos que esta representa o instrumento do seu martírio. Mas, repassando os escritos do Apóstolo dos Gentios, descobrimos que a imagem da espada se refere a toda a sua missão de evangelizador. Por exemplo, quando já sentia aproximar-se a morte, escreve a Timóteo: ‘Combati o bom combate’ (2Tm 4,7); aqui não se trata seguramente do combate de um comandante, mas daquele de um arauto da Palavra de Deus, fiel a Cristo e à sua Igreja, por quem se consumou totalmente. Por isso mesmo, o Senhor lhe deu a coroa de glória e colocou-o, juntamente com Pedro, como coluna no edifício espiritual da Igreja”, expressou Bento XVI na sua homilia.
Breve biografia de S. Pedro
São Pedro nasceu em Betsaida, um pequeno vilarejo nas
margens do lago de Genesaret, ou Mar da Galileia, no norte de Israel. O seu nome
de nascimento era Simão. Quando conheceu Jesus, Simão era casado (os Evangelhos
falam da cura da sogra de Pedro: Marcos 1, 29-31; Lucas 4, 38-41 e Mateus 8,
14-15) e morava em Cafarnaum, importante cidade nas margens do lago de
Genesaret. Era filho de Jonas e tinha um irmão, André. Este foi quem o
apresentou a Jesus (João 1, 40). Os dois tornaram-se discípulos de Jesus e mais
tarde apóstolos. São Pedro era pescador e possuía um barco, em sociedade com o seu
irmão. Ambos trabalhavam no Mar da Galileia, um lago de água doce formado pelo
Rio Jordão, na região da Galileia em Israel.
Quando Jesus chamou São Pedro
Quando Jesus conheceu Simão, disse-lhe umas frases que
mudariam a vida dele: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens» (Mateus
4, 19; Marcos 1, 16-20; Lucas 5, 1-11; João 1, 35-51). A partir daí, Simão
começou seguir Jesus.
Num determinado momento, quando Simão confessou a Jesus: «Tu
és o Messias, o Filho de Deus» (Mateus 16, 13-19; Marcos 8, 27-30; Lucas 9,
18-21; João 6, 67-71), Jesus disse-lhe que, daquele momento em diante, o seu
nome seria Pedro, Cefas, Kephas em aramaico, palavra que significa
Pedra: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue
que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro,
e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada
poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na
terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no
Céu.» Mais tarde o significado desta expressão ficou claro: Pedro foi o
primeiro Papa da Igreja, tornou-se a Pedra onde a Igreja encontra a sua
unidade.
Negações de São Pedro e perdão de Jesus
Quando Jesus foi preso no Horto das Oliveiras, Ele pediu aos
guardas que deixassem livres os seus discípulos. São Pedro e outro apóstolo seguiram
Jesus de longe, às escondidas, até ao Palácio de Caifás, e ficaram ali à espera
do desfecho de tudo.
No pátio, alguns reconheceram São Pedro e perguntaram se ele
era um dos discípulos de Jesus. Por três vezes, porém, Pedro negou e o galo
cantou, como Jesus havia profetizado: Antes que o galo cante, tu me negarás
três vezes. Pedro chorou amargamente, arrependido (Mateus 26, 69-75; Marcos 14,
66-72; Lucas 22, 54-62; João 18, 15-18.25-27).
Quando Jesus ressuscitou e apareceu aos discípulos às
margens do Mar da Galileia, Ele dirigiu-se a Pedro e perguntou, por três vezes,
se O amava. Pedro respondeu que sim nas três vezes. Foi uma forma de Jesus
curar o remorso no coração de Pedro por causa das três negações que tinha feito
ao seu Mestre. Jesus perdoou-o e, em seguida disse-lhe: « Apascenta as minhas
ovelhas» (João 21, 16).
As chaves do Céu
Quando Jesus deu a São Pedro a missão de ser Pastor
Universal da Igreja, associou a figura da pedra à das chaves. Pedro era um
homem simples, extrovertido, falava sem pensar. Por outro lado, estava
acostumado às dificuldades da vida de pescador. Todavia, a grande transformação
de Pedro ocorre depois da receber o poder do Espírito Santo no Pentecostes: Pedro
torna-se um evangelizador com desassombro.
São Pedro reunia multidões nas suas pregações. Ele tinha o
dom da cura de tal forma que as pessoas queriam tocar no seu manto, ou passar
sob sua sombra para que fossem curados e libertados, como nos atesta o livro
dos Atos dos Apóstolos. Ler, por exemplo, Atos 2, 14-36; 3, 1- 26; 4, 1-32; 10,
11-16.
S. Pedro escreveu duas cartas que estão no Novo Testamento,
animando e exortando a Igreja nascente.
São Pedro, o primeiro papa
Depois de Pentecostes, Pedro passou a ser um evangelizador
por todos os lugares onde passava. A sua autoridade como o líder da Igreja
nascente sempre foi respeitada e atestada por vários documentos da Igreja.
Nunca foi questionada. De facto, São Pedro assumiu as chaves da Igreja e os seus
sucessores, os papas, são continuadores da sua autoridade e da sua missão dada
pelo próprio Jesus cristo.
Missão e morte de São Pedro
Por pregar o Evangelho destemidamente, São Pedro foi preso
várias vezes. Uma vez, em Jerusalém, um anjo de Deus o libertou da prisão
passando por vários guardas. Depois de evangelizar e animar a Igreja em vários
lugares, Pedro foi para Roma. Lá, liderou a Igreja que sempre crescia, apesar
das perseguições.
Quando os romanos descobriram o seu paradeiro, prenderam-no
e condenaram-no à morte de cruz por ser o líder da Igreja de Jesus Cristo. No
derradeiro momento, São Pedro pediu para
ser crucificado de cabeça para baixo, por não se julgar digno de morrer como o seu
Mestre.
O seu pedido foi atendido e ele foi morto na região onde
hoje é o Vaticano. Os seus restos mortais estão no altar da Basílica de São
Pedro, em Roma.
Porquê a festa de São Pedro é celebrada no dia 29 de
junho?
O dia de São Pedro passou a celebrar-se a 29 de junho a
partir do século III ou IV, bem como o dia de São Paulo. Historiadores
justificam a criação da referência aos dois santos para ocupar o lugar de uma
antiga celebração pagã que comemorava no mesmo dia a festa de Rómulo e Remo,
considerados os pais da cidade de Roma.
A festa é uma das mais antigas do ano litúrgico, bem mais
antiga que a própria festa do Natal. Em Roma, a tradição mandava celebrar neste
dia três missas: a primeira na Basílica de São Pedro, a segunda em São Paulo
Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias
dos Apóstolos tiveram de ser escondidas por algum tempo, para escapar às
profanações. Os mais crentes atribuem 29 de junho como o dia em que a
transladação dos restos mortais de Pedro e Paulo foi feita para São Sebastião,
devido à perseguição do imperador romano Valeriano, em 257.
Oração a São Pedro
Glorioso São Pedro, creio que vós sois o fundamento da Igreja, o pastor universal de todos os fiéis, o depositário das chaves do Céu, o verdadeiro vigário de Jesus Cristo; eu me glorio de ser vossa ovelha, vosso(a) súdito(a) e filho(a). Uma graça vos peço com toda a minha alma: guardai-me sempre unido a vós e fazei que antes me seja arrancado do peito o meu coração do que o amor e a plena submissão que devo a Jesus Cristo nos vossos sucessores, os pontífices romanos.
Ó glorioso São Pedro, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.
Biografia de São Paulo, Apóstolo
São Paulo, Apóstolo nasceu em Tarso, na Cilícia (atual Turquia), no ano 5 da era cristã. Tarso era um próspero centro mercantil e intelectual do mundo romano. Recebeu dois nomes, Saulo – hebreu e Paulo – romano. Seus pais eram judeus, mas gozavam dos privilégios da cidadania romana. Passou os primeiros anos de vida em meio da comunidade judaica e frequentou a escola da sinagoga. Um antigo costume judeu era ensinar às crianças algum trabalho útil. Paulo tornou-se tecelão.
Ainda adolescente, foi enviado a Jerusalém, onde deveria familiarizar-se mais profundamente com a religião e a cultura hebraica. Em Jerusalém, estudou no templo de Salomão, reedificado e embelezado por Herodes Agripa, o governador da Palestina. Durante cinco anos foi educado como discípulo de Gamaliel, rabino influente e de renome. Além da Bíblia, estudou a Lei Oral, um conjunto de tradições que regulava todas as atividades da vida cotidiana. Saulo se preparava para ser um rabino na mais ortodoxa das seitas judaicas.
No fim dos estudos retorna a Tarso. Alterna os trabalhos na sinagoga e a fabricação de tenda junto ao pai. Nessa época, ocorreram os grandes eventos do cristianismo. Desde 26, Jesus anunciava o Evangelho, entre 28 e 30 datam-se sua morte e ressurreição. Quando Saulo chega a Jerusalém, em 29, os discípulos de Jesus já eram mais de 5000. A maior parte dos judeus, inclusive Saulo, não acreditava, ainda, que aquele fosse o Messias. Tornou-se perseguidor das primeiras comunidades cristãs e participou do apedrejamento do apóstolo Estêvão.
Conversão ao Cristianismo
A caminho de Damasco, São Paulo teve a visão de uma luz incandescente e Jesus lhe indaga sobre as perseguições. No mesmo instante ficou cego e durante três dias entregou-se às orações. A mando de Jesus, Ananias vai a seu encontro, prepara seu batismo, põe a mão em sua cabeça e no mesmo instante Paulo recobra a visão e impressionado converte-se ao cristianismo.
Para reconstruir seus pensamentos, retira-se para o deserto da Arábia.
Paulo missionário
O Apóstolo dos Gentios realiza diversas expedições missionárias pregando o evangelho de Jesus Cristo. Em 44, após pregar durante três anos, em Tarso, segue para Antioquia, capital da província da Síria, então a terceira cidade do império, logo após, Roma e Alexandria. Nessa cidade inicia a missão entre os gentios. Foi nessa cidade que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados cristãos.
Entre 49 e 53, São Paulo realiza sua segunda viagem missionária. Entre outras cidades, vai a Macedónia, Acaia, Filipes, Atenas e Corinto. Entre 50 e 52 permanece em Corinto durante dezoito meses e funda uma comunidade cristã formada por pessoas da camada mais modesta da população. A primeira Carta aos Coríntios foi escrita em Efeso, provavelmente em 56, com o objetivo de restabelecer a unidade, advertindo que o único líder é Cristo.
Em 58, em Jerusalém, foi acusado de haver pregado contra a Lei e além de ter introduzido um gentio, no templo. Preso é enviado para Roma, onde seria julgado por um tribunal de César, mas um naufrágio interrompe a viagem. Paulo consegue permissão para ficar em prisão domiciliar.
Até o ano de 62, Paulo escreveu as suas epístolas.
Em 64, após o incêndio em Roma, que recaiu sobre os cristãos, São Paulo, Apóstolo é novamente preso e levado para os arredores de Roma quando, em 67, foi decapitado.

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