São três as perguntas fundamentais na Bíblia na relação entre Deus e as Pessoas...

Há três perguntas na Bíblia que, tendo ligação semântica entre si, nos interpelam fundo e forte:
“ADÃO, ONDE ESTÁS?” (Gn 3, 9)
“ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?” (Gn 4, 9)
“QUEM SOU EU?” (Mt 16, 13)

Esta tríade pode resumir todas as interrogações que, ao longo dos tempos, o ser humano enfrenta e questionam a sua identidade, às quais não pode fugir.

Se escutarmos o silêncio fecundo, lá está a pergunta:
“ONDE ESTÁS?”
Qual é o teu lugar na terra?
Qual a tua missão?
Por mais que nos escondamos, continuamos a ouvir. Podemos tentar abafar essa voz com os ruídos do mundo, mas nunca conseguiremos apagar o grito que vem do fundo da alma que avaramente procura o seu lugar. 

A esta voz saída das entranhas do nosso ser, outra, sua irmã, se levanta num desafio interminável: “ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?” 
Porque somos seres de relação e em relação, a nossa identidade constrói-se na solidariedade com os outros que são como que o eco da nossa verdade ou mentira. É um diálogo interminável e essencial. Eu e os outros. Nós e os outros. Nascemos na solidariedade e viveremos da e na inter-relação. O mundo está como está porque esqueceu a realidade da corresponsabilidade. Ninguém se salva só nem se condena só. Seremos nós, sendo para os outros. Sendo para nós, perder-nos-emos, afogados no mar do nosso vazio. Porém, a relação eu/outros só alcança sentido pleno se levar à DESCOBERTA DO OUTRO. 

E é aqui que entra a terceira pergunta vinda da boca de Jesus: “QUEM DIZEM QUE EU SOU? QUEM SOU EU PARA VÓS?”
O desejo de encontrar Deus está inscrito inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Mas foi Jesus Quem afirmou: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim.” (Jo 14, 16) Porquê? Porque Jesus é o rosto do Pai, a Sua imagem visível. 

A melhor definição de Deus (se é possível definir Deus) é: Deus é amor. Os apóstolos tiveram muita dificuldade em descobrir a identidade de Jesus e, como consequência, a identidade de Deus. Só após a ressurreição é que o seu coração se abriu. 

A descoberta da identidade de Jesus e de Deus é essencial para a descoberta da grandeza de cada um de nós e de cada um dos outros. Essa descoberta provoca uma felicidade inefável que respiram as belas e comoventes palavras de S. Agostinho: “Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu, lá fora, a procurar-Vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo e eu não estava Convosco! Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós.  Porém,  chamastes-me, com uma voz tão forte, que rompestes a minha surdez! Brilhastes, cintilastes, e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes Perfume: respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós. Saboreei-Vos e, agora, tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e ardi, no desejo da Vossa Paz".

COMUNIDADE PAROQUIAL DE ESPINHO

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