Tua, porque me redimiste,
Tua, porque me sustentaste,
Tua, porque me chamaste,
Tua porque me atendeste,
Tua, porque não me perdi.
Que ordenas Tu que se faça de mim?
Que, portanto, ordenas, bom Senhor,
Que faça um(a) tão vil servidor(a)?
Que função deste
A este(a) escravo(a) pecadora(a)?
Vês-me aqui, meu doce Amor,
Amor doce, vês-me aqui.
Que ordenas Tu que se faça de mim?
Vês aqui o meu coração,
deponho na palma da tua mão
o meu corpo, a minha vida e a minha alma,
as minhas entranhas e as minhas afeições.
Doce esposo, minha redenção,
já que me ofereci a Ti,
que ordenas Tu que se faça de mim?
que ordenas Tu que se faça de mim?
Dá-me a morte, dá-me a vida:
dá-me saúde ou doença,
dá-me honra ou desonra;
dá-me a guerra ou uma paz maior,
a fraqueza ou a força perfeita,
porque a tudo digo sim.
Que ordenas Tu que se faça de mim?
Dá-me a riqueza ou a pobreza,
dá-me consolação ou desolação,
dá-me alegria ou tristeza,
dá-me o inferno ou dá-me o céu.
Doce vida, Sol sem véu,
porque toda me entreguei,
que ordenas Tu que se faça de mim?
que ordenas Tu que se faça de mim?
Se quiseres, dá-me a oração;
se não, dá-me a secura,
a abundância e a devoção;
se não, a esterilidade.
Soberana majestade,
só aqui encontro paz.
Que ordenas Tu que se faça de mim?
Se quiseres o meu repouso,
também quero, por amor, me repousar.
Se me ordenas que trabalhe,
quero morrer a trabalhar,
Diz-me onde, como e quando!
Diz, meu doce Amor, diz.
Que ordenas Tu que se faça de mim?
Santa Teresa de Ávila (1515-1582)

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