É possível evoluir espiritualmente tendo uma vida profissional (muito) ativa? Sim, claro, porque uma vida ativa terá espiritualidade se a regulamos pela Vontade de Deus.
Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, afirmava que não é difícil saber qual é a vontade de Deus e como nos indica o caminho:
«É preciso ouvirmos bem dentro de nós uma voz delicada, a qual, muitas vezes, sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas se a ouvirmos bem, é a voz de Deus. Ela diz-nos que aquele é o momento de estudar ou ajudar quem tem necessidade, de trabalhar, vencer uma tentação ou cumprir um dever de cristão, de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis. Temos que a ouvir. Não façamos calar essa voz, ela é o tesouro mais precioso que possuímos. Sigamo-la!»
Se uma pessoa se atira exageradamente às atividades, deixando-se absorver por elas, torna-se incapaz de as dominar. Nem sequer será capaz de fazer a sua vontade pessoal, quanto mais a de Deus!
Quem trabalha num projeto importante ou numa atividade manual, se de vez em quando fechar os olhos e agradecer a Deus estar vivo e se sentir feliz por poder realizar aquela tarefa, fará de certeza muito melhor o seu trabalho sem stress e com o coração pleno de Luz, porque já antevê a alegria que, além dele, os outros vão usufruir.
Jesus não repreendeu Marta por estar a trabalhar, mas por apenas olhar para Ele para O repreender e nem sequer O estar a ouvir.
«Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada» (Lucas 10, 25-37).
Deus quer a atividade e o serviço generoso mas não a inquietação ansiosa, pois só uma coisa é necessária: a união e o abandono à Vontade de Deus em cada momento.
Com Deus, «podemos santificar até as coisas mais pequenas e insignificantes e transformar em divinos os atos mais normais da vida, que assim em vez de me afastarem de Ti, me unem mais intimamente a Ti», escreveu Santa Isabel da Trindade.
«Senhor, eu não sou Luz para mim mesmo, posso ser olho mas não Luz. Para que serve ter os olhos abertos se me falta a Luz?
Por mim mesmo sou apenas trevas mas Tu és a Luz que dissipa as trevas e me ilumina.
De mim não nasce Luz, só Tu ma podes conceder», rezava Santo Agostinho

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