Diocese de Leiria dinamizou formação para ajudar a «implementar uma nova cultura de liderança» na Igreja
Os 170 participantes na Jornada sobre Dinâmicas de Liderança na Igreja que se realizou no dia 29 de junho representaram 42 das 75 paróquias da diocese de Leiria.
Uma cultura de liderança «que reconheça e ponha em prática a corresponsabilidade dos fiéis»
O cardeal D. António Marto introduziu os trabalhos do dia, com o tema «Repensar a liderança pastoral». Das suas palavras - na íntegra aqui: Abertura da Jornada sobre Dinâmicas de Liderança na Igreja - podem-se evidenciar estas:
«Reafirma o Papa Francisco na Evangelii Gaudium n.33: “Sede audazes e criativos na tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos” para chegar à gente.
Com este apelo, o papa chama-nos a ter um olhar empreendedor, a sermos empreendedores (não empresários) pastorais criativos. Temos pois que pensar e atuar estrategicamente, não por mero amadorismo. Num primeiro momento pode parecer-nos uma tarefa difícil face aos escassos recursos humanos e outros. Todavia, o tempo novo e as novas situações em que vivemos são um momento oportuno para repensar a liderança do ministério pastoral e a formação de líderes para as nossas comunidades e sectores pastorais.
Trata-se de implementar uma nova cultura de liderança para a nossa Igreja, uma cultura que reconheça e ponha em prática a corresponsabilidade dos fiéis, que valorize e aproveite os diversos talentos e carismas, fomente a criatividade e a assunção prudente de riscos, economize a dispersão de energias que podem desgastar alguns sobrecarregados, e se paute por critérios elevados de profissionalidade no governo, no trabalho pastoral e na gestão das comunidades.
Tudo isto requer ser enquadrado numa visão da Igreja oferecida já pelo Concílio Vaticano II e hoje acentuada e urgida pelo Papa Francisco:
Uma Igreja mais ministerial que assenta na diversidade de ministérios e serviços e não monopólio de um só ministério (clericalismo);
Uma Igreja mais sinodal, assente na comunhão, no caminhar juntos com a participação de todos, em especial, dos conselhos paroquiais e diocesanos;
Uma Igreja mais pró-ativa, mais criativa e inovadora para corresponder às exigências deste tempo;
Uma Igreja mais transparente, mais disposta a dar contas do seu funcionamento, da avaliação e das responsabilidades próprias.
Por fim, não podemos esquecer nem perder nunca de vista que todas as novas dinâmicas da liderança estão ao serviço da grande missão da Igreja: mais e melhor Evangelização : “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho...”! A evangelização constitui a missão essencial da Igreja e deve ser o critério-guia para orientar o discernimento das dinâmicas de liderança que hoje são necessárias a esta missão .
Leiria, 29 de junho de 2019, † Cardeal António Marto, Bispo de Leiria-Fátima»
«Liderança como serviço e como vocação»
Para este dia de formação foi convidado João Pedro Tavares, presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), que se dedica também a formações na área da liderança, acompanhado por Lourenço Sobreira que é administrador do Alpha, Curso para Casais e Curso de Preparação para o Casamento na região de Lisboa. Abordou o tema “viver a liderança como serviço e como vocação”
Disse que, como presidente da ACEGE, propõe-se «ajudar outros, a começar por nós mesmos, a viver a liderança como serviço, com propósito, como missão, como vocação».
«Numa formação sobre liderança, a maior e principal descoberta tem a ver com o próprio, com a pessoa, antes de ser com os outros. De facto, uma vez satisfeitas as necessidades básicas de cada pessoa, ela própria, de alguma forma, está chamada a ser líder. Desde logo, a liderar-se a si mesma, nos seus desejos, mas sobretudo, no exercício da sua vontade, em liberdade, no sentido de viver a vida com um propósito, como missão, direcionando os seus recursos (talentos, capacidades, materiais) para um bem maior (a título de exemplo e face ao contexto em que nos encontramos). Liderar-se antes de liderar outros é o primeiro de muitos outros passos e aprende-se de uma única forma: exercendo, corrigindo, identificando oportunidades de melhoria, num ciclo que deve ser de desenvolvimento e crescimento, pessoal e de todos», explicou.
Para ler os temas da sua exposição, clicar aqui:
Quatro espaços para quatro níveis temáticos
O programa do dia continha quatro blocos temáticos: dois de manhã e dois à tarde. No primeiro, foi lançada a questão “o que é ser líder?”, com o orador João Pedro Tavares chegar à conclusão de que “liderar é inspirar e alcançar resultados”.
O segundo bloco já propunha orientações mais práticas: “Como se deve liderar?” João Pedro Tavares abordou três vertentes da lideranças: a missão, a visão e os valores.
Depois do almoço foi abordada a questão do trabalho em equipa na Igreja e o que isso implica da parte de quem tem a responsabilidade de liderar um grupo para que se alcancem resultados.
Finalmente, o último bloco apontava para o futuro, com a constatação de que a Igreja precisa de líderes.
Para o condutor da formação, “os líderes na Igreja têm uma liderança muito exigente em múltiplas frentes, por vezes com pouco recursos, e muitas vezes isolados, com tudo sob a sua responsabilidade; muitas vezes, necessitam de maior organização, definição de prioridades e equipas em quem confiem e sistematização operacional”. Neste sentido, apontava como a origem destes problemas a falta de foco naquilo que é essencial que, no caso da Igreja, é o anúncio de Cristo. Não é, pois, de admirar que apresente a oração como solução para muitos dos problemas que hoje a Igreja vive.
João Pedro Tavares explicou que “a primeira responsabilidade de um líder, é liderar-se a si próprio, conhecer, e desejar, a sua missão, saber os seus valores e a sua filiação”.
E enumerou as 9 responsabilidades básicas de um líder:
Determinar Missão, Visão e Objectivos
Fomentar o trabalho em equipa – Escolher e capacitar colaboradores.
Garantir um Plano Operacional efectivo
Medir, Monitorar, corrigir, ajustar – Fazer Acontecer
Assegurar os recursos necessários
Proteger Activos e controlar
Garantir integridade e Ética. Promover transparência
Comunicar exteriormente (de forma adequada)
Preparar (um melhor) futuro a prazo
De que líderes precisa a Igreja?
João Pedro Tavares, é de opinião de que o processo de desenvolvimento de uma estratégia deva ser realista, baseado em factos e colaborativo.
Para isso remete para um processo de respostas a questões constantes da conhecida grelha SWOT que visa “identificar ou rever pontos fortes e fraquezas na estratégia actual da organização, analisar prioridades de evolução, antecipar barreiras e conflitos e definir acções”. Um dos aspetos importantes que aponta é a necessidade de distinguir entre intenções e objetivos, dando um exemplo: “melhorar a comunicação com a comunidade é apenas uma intenção que pode ser explicitada num objectivo formulado desta maneira: avaliar nos próximos três meses com um grupo selecionado formas concretas de comunicar”. Para ajudar, apresentou uma grelha que ajuda a definir um plano de acção para cada iniciativa:
Fonte: https://leiria-fatima.pt


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