Amigo Jesus, todas as leituras deste domingo - Sir 3, 17-18.20.28-29; Heb 12,18-19.22-24a; Lc 14,1.7-14 - têm um tema comum: a HUMILDADE em oposição ao ORGULHO.
«Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso. Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor.» (Sir 3, 17-18).
De acordo com o pensamento que inspiraste a Ben-Sirá (primeira leitura), é HUMILDE aquele que conhece e reconhece as suas qualidades, não as desvalorizando nem ou sobrevalorizando.
Humildade é eu conhecer-me o mais completamente possível. Depois, é saber que as qualidades que eu tenho não são apenas uma conquista minha, são antes de mais dons Teus, ó Deus, e dons que os outros me ajudam a desenvolver.
Humildade é, igualmente, eu crer com toda a confiança que a vida é, sobretudo, UM DOM TEU, e, por isso, a AGRADEÇO e PARTILHO-A.
Também de acordo com o pensamento que inspiraste a Ben-Sirá, sou ORGULHOSO quando conheço as minhas qualidades, e sobrevalorizo-as como dotes pessoais e exclusivos. Assim, uso todos os meios para me impor aos outros. Idolatro-me a mim, julgo-me superior a todos, não reconheço os meus erros nem ajudo os outros. O filósofo ateu Sarte dizia: «O inferno são os outros.» A Tua Palavra diz: «O inferno somos nós quando nos fechamos aos outros. Quando nos consideramos o centro do universo.»
Na segunda leitura, S. Paulo simplifica o que, tantas vezes, complico: «Como posso agradar a Deus?»; «Como posso falar com Deus?»
No Antigo Testamento, o povo de Israel temia estar na presença de Deus. No Novo Testamento, Jesus Cristo fez-Se tão próximo, que é MEDIADOR.
No Evangelho, Tu, Jesus, que assististe a diversas festas e observaste as etiquetas, as hierarquias, as precedências obrigatórias, com base nessa experiência, contas-nos a parábola do convite para o banquete
O EVANGELISTA FAZ CATEQUESE. Nas suas comunidades, como nas nossas, são frequentes os desentendimentos por causa das precedências. Os responsáveis pelos diversos ministérios deixam-se arrastar pela procura dos “primeiros lugares”. É o eterno problema da Igreja: todos deviam servir, mas na prática há sempre quem aspire à primazia. Também na nossa comunidade. Os destinatários somos todos nós.
Jesus, Tu invertes todas as pretensões dos mais poderosos e vaidosos.
Tu que nos falas aqui és o SENHOR RESSUSCITADO, o mesmo que, na CEIA PASCAL, Te ajoelhaste para lavar os pés aos apóstolos num GESTO DESCONCERTANTE; és o mesmo que disse: “Quem quiser ser o maior há de ser servo dos outros.”
Jesus és mesmo desconcertante. Ensinas que é sempre preciso dar início a outro banquete, em que as quatro categorias das “pessoas de bem” (amigos, irmãos, parentes e ricos) cedem o lugar a outras quatro categorias: pobres, aleijados, coxos e cegos.
Comunidade paroquial de Espinho

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