No dia 29 de agosto de 1294, ocorreu uma verdadeira revolução na Igreja, com o que ficou conhecido para a História como o Perdão Celestiniano. Com a Bula «Inter sanctorum solemnia», o Papa Celestino V concedia também aos pobres e aos deserdados a indulgência plenária geralmente exclusiva aos cruzados que partiam para a Terra Santa, aos peregrinos que chegavam à Porciúncula em Assis e aos ricos, que podiam comprá-la. Ele concedeu esse “dom revolucionário” no mesmo dia da sua coroação como pontífice na Basílica de Collemaggio em Áquila (centro de Itália).
Não obstante este gesto, o Papa Celestino V só é lembrado pela clamorosa renúncia ao trono papal «a fim de recuperar a consolação da vida anterior, a tranquilidade perdida», e foi eternizado por Dante entre os ignavos no inferno, porque «ele fez a grande recusa por cobardia», mesmo se pontificou por apenas quatro meses.
Lembrar o Papa Celestino V é comemorar a instituição do primeiro Jubileu da história com a Bula do Perdão - embora o Jubileu como hoje conhecemos só tenha sido estabelecido em 1300 pelo Papa Bonifácio III.
Um papa invulgar
As crónicas históricas relatam que naquele 29 de agosto de 1294, festividade do martírio de São João Batista, havia 200 000 pessoas, além de reis e nobres. Celestino V, que se tornou o 192.º papa da história da Igreja, chamava-se Pietro Angeleri e era considerado já em vida santo, pela sua vocação como eremita numa gruta no Monte Morrone.
Eleito aos 85 anos pelo conclave reunido em Perugia (após dois anos de sede vacante), Pietro viajou desde a gruta no dorso de um jumento. E recusou-se a ir para Roma, escolhendo Áquila.
O seu primeiro ato como papa foi a publicação da Bula do Perdão, que tornava a indulgência um direito universal e de Graça.
Celebração anual
Desde aquele ano, por ocasião da Solenidade do Martírio de João o Batista, a cidade italiana de Áquila, situada no coração de Abruzo, recorda e revive o Perdão Celestiano, concedendo indulgência aos devotos e peregrinos que atravessam a Porta Santa da Basílica de Santa Maria de Collemaggio entre os dias 28 e 29 de agosto, cumprindo as condições: sacramento da reconciliação, participar na Eucaristia e comungar, e orar pelas intenções do Sumo Pontífice.
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