No Evangelho, há palavras cheias de afeto e carinho, dirigidas a nós por Jesus: «Não temas, pequenino rebanho»
O autor do quarto Evangelho, São Lucas, reuniu umas palavras cheias de afeto e carinho, dirigidas por Jesus aos seus seguidores. Com frequência passam despercebidas. No entanto, lidas hoje com atenção nas nossas paróquias e comunidades cristãs, ganham uma surpreendente atualidade:
«Não temas, pequenino rebanho,
porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino.
Vendei o que possuís e dai-o em esmola.
Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração.
Sede como quem espera o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrir logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar.» (Lc 12, 32-48)
“Pequenino rebanho”
Jesus olha com imensa ternura para o seu pequeno grupo de seguidores. São poucos. Têm vocação de minoria. Não hão de pensar em grandeza. É assim que Jesus sempre nos imagina: como um pequeno “fermento” escondido na massa, uma pequena “luz” no meio da escuridão, um punhado de “sal” para dar sabor à vida.
Depois de séculos de “imperialismo cristão”, os discípulos de Jesus devem aprender a viver em minoria. É um erro desejar uma Igreja poderosa e forte. É um engano procurar o poder mundano ou pretender dominar a sociedade. O evangelho não se impõe pela força. É contagiado por aqueles que vivem ao estilo de Jesus tornando a vida mais humana.
“Não temas”
É a grande preocupação de Jesus. Não quer ver os seus seguidores paralisados pelo medo nem afundados no desânimo. Não devem preocupar-se.
Também hoje somos um pequeno rebanho, mas podemos permanecer muito unidos a Jesus, o Pastor que nos guia e nos defende. Ele pode-nos fazer viver estes tempos com paz.
“O Vosso Pai quis dar-vos o Reino”
Jesus lembra uma vez mais. Não devemos sentir-nos órfãos. Temos Deus como Pai. E confiou-nos o seu projeto do Reino. É o seu grande presente, o melhor que temos nas nossas comunidades: a tarefa de fazer a vida mais Vida.
“Vendei o que possuís e dai-o em esmola”
Os seguidores de Jesus são um pequeno rebanho, mas nunca hão de ser uma seita fechada nos seus próprios interesses. Não viverão de costas voltas às necessidades de ninguém. Serão comunidades de portas abertas. Partilharão os seus bens com os que necessitam de ajuda e solidariedade. Darão esmola, isto é, praticarão a misericórdia.
“Sejam como quem espera o seu senhor... felizes serão”
«Não morras na sala de espera», escreveu Hervey Cox, teólogo norte-americano.
Sim, a vida que é feita de tantas esperas, também é “esperada”.
Todavia, somos continuamente tentados a pensar que somente nós esperamos e esquecer que também Deus nos espera. E que a espera divina é paciente, compreensiva e compassiva.
Ora, quem espera faz-se disponível, acolhedor, abre espaço para o mistério do outro que lhe vem ao encontro. Quem espera acolhe o diferente.
Ao contrário, os intolerantes e preconceituosos não esperam nada: amargam a vida no fechamento, no dogmatismo e no moralismo.
Perguntas de Deus
Onde estás?
diz o Criador.
Onde está teu irmão?
diz o Pai.
Onde estão teus acusadores?
diz o Espírito Paráclito
Porque Me perseguem?
diz o Irmão Jesus
Porque temes?
diz o Amigo
Textos de Antonio Pagola, Aldo e Benjamin Buelta

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