Olá, Jesus. No Evangelho deste domingo, narras-nos a
parábola do Rico e do pobre Lázaro. Está em Lucas 16, 19-31.
É uma parábola desconcertante e inquietante, porque nos
situa frente a frente com uma realidade presente no mundo atual: o abismo entre
ricos e pobres. E, mais do que isso, a indiferença para com os menos
favorecidos; existe o esbanjamento de uns apesar da miséria de outros. E isto
acontece também entre nós, comunidades e famílias cristãs.
Se tivesse de escolher uma ou duas palavras que fossem a
chave de leitura da tua parábola deste domingo, uma palavra é “abismo”. E a
outra é para nomear a atitude que tu denuncias como injusta, inumana, que
ofende Deus no tratamento que damos ao nosso próximo, e essa palavra é “indiferença”.
Indiferença é…
quando nada desperta a nossa capacidade de ver para além
de nossos umbigos:
quando nos convencemos que os problemas dos outros não nos
dizem respeito;
quando a maldade, a violência, as mortes, as perseguições
e escravidões que acontecem no prédio, no bairro, no país, ou, sobretudo, em lugares
mais longe, já não nos afetam;
quando não nos importamos com o que acontecerá amanhã, contentando-nos
com viver satisfeitos o presente.
Contigo, Jesus, aprendo…
Li: «Os cristãos devem ser barcos, ou ilhas, ou continentes de
compaixão num mar de indiferença.»
A compaixão é o oposto da indiferença, porque demonstra sensibilidade.
E não consiste em ter pena. Significa atuar por justiça, para que eu e o outro,
cada um de nós, tenha aquilo que precisa e o torna digno.
Compaixão significa aproximar-nos, fazer a “travessia” para recolher
quem está em aflição, significa ser abrigo, ser amigo que abre as portas da sua
casa.
Ó, Jesus, contigo aprendo que a compaixão não é um mero sentimento,
mas uma reação “apaixonada”! És a inspiração, és a origem da solidariedade que
suscita uma ação eficaz e um compromisso de vida a favor de quem é vítima de
situações injustas.
O primeiro convite que nos fazes, ó Jesus, com a parábola
deste domingo é o de abrirmos a porta do nosso coração ao outro, porque cada
pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. Sempre é
tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o Teu rosto.
E foste subtil, ó Jesus: o rico, além de ser indiferente durante a vida, depois da morte já olhava para Lázaro, todavia via-o como servo, empregado: «Peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna...» (Lc 16, 27-28).
E foste subtil, ó Jesus: o rico, além de ser indiferente durante a vida, depois da morte já olhava para Lázaro, todavia via-o como servo, empregado: «Peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna...» (Lc 16, 27-28).
Recebi gratuitamente, devo dar de
igual modo
Amigo Jesus, que nos chamas ao Teu Banquete – à Mesa da
Palavra e à Mesa da Eucaristia –, estou consciente de que vencer o abismo da
indiferença, praticar a misericórdia, é abrir a porta, para sair ao encontro de
quem súplica ajuda, e para o acolher à mesma mesa, onde saboreio os alimentos
que a Tua Providência me dá.
Fernando Félix Ferreira e Padre Aldo (Centro Loyola)

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