Texto de Nuno Silva, citado em asasdamontanha.blogspot.com:
Há dias, em visita a uns amigos, tive conhecimento de
um colega padre ter abandonado o ministério, ou seja, ter deixado de ser padre.
Viveu dois anos enquanto padre. Aliás... na diocese deste meu colega, este ano
abandonaram cinco padres, uns bastante maduros, outros em início de missão.
Confesso a minha tristeza pela perda do Dom de Ser Padre. É com alguma angústia que recordo e rezo estas perdas. Interrogo-me sobre o caminho e que discernimento terão feito em seminário; Interrogo-me sobre o papel, presença e acompanhamento fraterno da "estrutura sacerdotal"... bispos e padres. Interrogo-me sobre o papel das comunidades cristãs, que são as suas famílias mais próximas; etc... e como não se dá conta de que um padre está a perder o Dom?! Que está só? Triste? Solitário? Sem a paixão no olhar e nas palavras, quando pronuncia o nome de Jesus?
Confesso a minha tristeza pela perda do Dom de Ser Padre. É com alguma angústia que recordo e rezo estas perdas. Interrogo-me sobre o caminho e que discernimento terão feito em seminário; Interrogo-me sobre o papel, presença e acompanhamento fraterno da "estrutura sacerdotal"... bispos e padres. Interrogo-me sobre o papel das comunidades cristãs, que são as suas famílias mais próximas; etc... e como não se dá conta de que um padre está a perder o Dom?! Que está só? Triste? Solitário? Sem a paixão no olhar e nas palavras, quando pronuncia o nome de Jesus?
Ser padre é bom, já o disse muitas vezes, mas no entanto,
também já o disse, nem sempre é fácil. Não há que mentir. E ninguém deve julgar
quando esse Dom se perde.
É natural a perda do Dom de ser padre quando a Igreja é
madrasta e não Mãe como sempre deve ser. Sim é verdade! A Igreja pode ser
madrasta, pois todos somos Igreja, e por isso, tanto de santa e pecadora.
Quantos padres são esquecidos por aqueles que deviam estar
sempre atentos à sua missão?
Quantos padres vivem a solidão, porque não colaboram e se
deixam guiar por grupos "com interesses pessoais"?
Quantos padres são tornados "invisíveis" para não
atrapalharem outros que vivem na procura desenfreada de "estrelatos"
e de "carreirismos"?
Quantos padres vivem diários confrontos com baptizados
oportunistas que procuram serem excepções, rejeitando aquilo que a Igreja lhes
pede, impondo as suas vontades e regras, fazendo de tudo para as conseguir, e
depois tornarem a voltar costas a Cristo e à Igreja?
Quantos padres têm que escutar e testemunhar a fé frágil de
leigos comprometidos, nas estruturas da Igreja e das paróquias, e que se
relevam muitas vezes autênticas forças de contradição e pressão, face aos
alicerces da Igreja?
Quantos padres se dedicam horas a fio à sua missão de
pastores, dando-se conta da fragilidade da vida de fé das suas comunidades, que
pouco se comprometem, partilham, acompanham, rezam, e alicerçam a sua vida de
fé apenas na "eucaristia dominical", não compreendendo que ser cristão vai muito para além "da missinha" de domingo, das suas
opiniões, das suas vontades?
Quantos padres, na procura de defenderem a Igreja e a
Verdade da Fé, vêem-se envolvidos em pressões e conflitos, situações de força,
sendo simplesmente abandonados pelas suas comunidades, porque não se
"querem envolver"?
Quantos padres, após uma vida gasta e entregue às
comunidades, vão caindo no esquecimento, ao ponto de, velhinhos e limitados,
não receberem um telefonema, uma visita, um sinal daqueles a quem se foram
dando a cada dia?
A perda do Dom acontece. Uns perdem esse dom e seguem outros
caminhos, abandonam. Outros perdem o Dom, mas vão permanecendo na missão, de
coração fechado à presença do Espírito, vivendo na igreja e nas comunidades,
mas à margem das mesmas, usando e abusando da imagem de um Dom que já não possuem
no olhar e nas palavras, mas que usam e abusam só para sobreviver.
A responsabilidade é de muitos.
Daqueles que não acompanham, que não cuidam, não valorizam,
que disputam, que ignoram as regras, que pressionam, que não se comprometem,
que não colaboram, que não crescem, que não têm alegria no seu baptismo, que
não querem ser Igreja, que não acolhem, que pouco amam... que têm pouca sede de
Deus.
Bem... assim não parece tão estranho um padre perder o seu
Dom. O cansaço de se sentir tratado como "escravo de vontades" ou
"funcionário da fé", e não como Pastor e anunciandor da Boa Nova,
levará obrigatoriamente ao cansaço e à interrogação sobre o seu Dom e se valerá
a pena ser Padre. Se o outro não o olha como Dom, o próprio padre pode sentir
que perdeu o seu Dom e desistir.
Afinal, guardar em si o Dom de ser padre e vivê-lo como um
tesouro, é quase um "poder" digno de um super herói da Marvel.»

Ser padre devia ser como ser mãe, ponham todas essas questões em relação a uma mãe digam se alguma pode desistir de o ser porque perdeu o dom? Quantas e quantas mulheres descartadas, abandonadas …
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