10 ações em Igreja para assumir o Cuidado da Criação

A Conferência dos bispos da Alemanha propõe um decálogo em chave ecológica para combater as alterações climáticas.

1. Integrar o cuidado da Criação na catequese, nos comentários à Palavra de Deus e na oração litúrgica. A responsabilidade por cuidar da Natureza e da vida humana, isto é, da Criação, deve ser abordada no ensino da Igreja, e deve-se reservar espaço regular para o tema nas celebrações, como por exemplo, nos batismos (valor da água), na festa das colheitas, por ocasião da Ascensão, e falar da importância do trigo; em cada Eucaristia (em que o pão e o vinho representam também o trabalho humano).

2. Fortalecer no interior da Igreja a consciência de que tudo é dádiva da Criação, mas nada é inesgotável. Sugere-se que cada diocese ofereça orientações nesse sentido a quem trabalha para a Igreja: seja no uso de transportes mais ecológicos, seja na reciclagem, seja no tipo de velas, tecidos, seja no na manutenção dos edifícios e espaços envolventes.

3. Sensibilizar e motivar mediante a educação. Concretamente, propõe-se que se inclua o tema “responsabilidade pela Criação” nas aulas de educação religiosa e moral cristã, na Teologia, nos meios de comunicação social.

4. Redescobrir as tradições cristãs. As antigas tradições eclesiásticas de vida espiritual são uma oportunidade para tomar consciência de que todos somos parte da Criação. Práticas como o jejum ou o dia da abstinência (alimentação sem carne) podem se assumidas a partir dessa perspectiva.

5. Estabelecer a responsabilidade pela Criação como prioridade já no presente e não ficar por intenções piedosas. Que importa rezar «Pai Nosso», se não se honra com a vida esse Pai que é Criador? Que importa rezar «seja feita a Tua vontade», se não a cumprimos? Que importa pedir «o pão nosso de cada dia dá-nos hoje», se não o asseguramos para «amanhã»? Que importa pedir perdão para nós, assim como nós perdoamos, se, na verdade, não emendamos o nosso mau agir?

6. Administrar os edifícios de maneira sustentável e não construir outros sem essa preocupação.

7. Administrar de maneira sustentável as instituições da Igreja. A gestão sustentável inclui a compra e o uso de bens, mercadorias e artigos de consumo, como também a contratação de serviços, sob critérios qualidade e durabilidade, evitando a acumulação de resíduos.

8. Administrar de maneira sustentável os terrenos da Igreja. Corresponde ao imperativo de conservar os solos e as águas, e preservar a biodiversidade nos terrenos da Igreja, incluindo a manutenção das áreas que circundam os seus edifícios, assim como os cemitérios sob sua gestão.

9. Planificar uma mobilidade respeitosa com o meio-ambiente. Priorizar a deslocação para o lugar do trabalho em bicicleta, veículos partilhados, autocarro ou comboio, de modo que resulte menos atrativo o uso individual do automóvel.

10. Assumir uma responsabilidade sociopolítica e internacional. Associar-se a outras Igrejas cristãs, a outras religiões, a outras instituições civis, oferecendo os valores do Evangelho. E, onde não haja ninguém a atuar, ser a Igreja a tomar a iniciativa.

Texto integral do documento, em espanhol:

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