A dor crónica pode ser modificada com a mente: 17 passos para atingir este objetivo

Viver com dor crónica é desgastante, cansa muito, pode retirar o prazer da vida, do trabalho, das relações, pensando-se no futuro com um ponto de interrogação assustador que nos tolhe os pensamentos e emoções. 

Tive a sorte de, num primeiro momento em que fiquei vários dias sem conseguir andar sem ajuda, encontrar um neurocirurgião que me explicou que não me podia operar à coluna porque a artrite e as artroses a haviam danificado demasiado. Ao ver-me ficar em choque, sorriu, cúmplice, e explicou-me que a dor pode ser modificada na nossa mente, aconselhou-me a ter as rédeas da dor na mão. 

Fui então fazer treino mental para lidar com a dor e dei por mim a conseguir que não me incomodasse quando estava a trabalhar ou a conviver, e isso dava-me bem a noção do meu poder sobre ela. 

Saber mais:

A dor é um alarme que não deve ser apagado por completo. Contudo, podemos escolher quanta dor queremos sentir, ou melhor, quanto iremos permitir que afete a nossa vida. Foi uma estrondosa revolução!

É necessário conhecer a dor
Existe um profundo desconhecimento sobre o que é viver com dor crónica, tanto por quem a tem como por quem não a tem (e, muitas vezes, não a entende). 

Faço parte da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas e um dos grandes objetivos é conseguir uma maior literacia do doente e do público em geral.

Por exemplo, precisamos de saber que tipo de dor temos para poder agir em conformidade: a dor inflamatória piora no repouso, a dor mecânica melhora no repouso; é preferível atacar de imediato a dor inflamatória para que a inflamação não tome o freio nos dentes; é importante manter níveis reduzidos de dor, pois o stress físico que esse sofrimento implica pode alterar a forma como sentimos a dor; e por aí fora. 

As pessoas resignam-se ao ter uma patologia que lhes traz dor crónica, mas o segredo é fazer exatamente o contrário. É preciso entendê-la, saber agir sobre ela e procurar uma excelente relação com o médico que nos segue, para ser um trabalho de equipa.

E não posso deixar de falar na família: quando esta compreende e ajuda, o doente, em vez de sentir (como acontece muitas vezes) culpa e até vergonha, sente-se apoiado e confiante e… a dor pode ser reenquadrada.

Margarida Fonseca Santos, escritora juvenil, em https://julia.pt

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