«A vida foi-me dada numa oferta de amor. Não a pedi, não a mereci, mas veio ter comigo»

A vida foi-me dada numa oferta de amor.
Não a pedi, não a mereci, mas veio ter comigo.
Abracei-a como a mãe enlaça o filho.
Recebi-a como uma prenda preciosa.

Vieram tempos depois. 
Os espinhos agudos da dura estrada 
não têm piedade e cravam-se-me.
Então, sobe em mim um grito de revolta 
e os dentes trituram a feroz amargura 
porque, em vez de sol, há noite escura.

Os sonhos que ergui quais contos de fadas 
desfizeram-se como ocas bolas de sabão.
Caído por terra sob o peso da pesada cruz, 
parece que viver é um longo pesadelo
 e seria melhor não ter visto a luz.

Não, não. A vida é sol que brilha 
e aquece mesmo nos dias de intenso inverno.
Que maravilha! Subida e descida, sol e frio, 
e às vezes um imprevisto calafrio.

Vida! Eu te bendigo a toda a hora 
ainda que as lágrimas jorrem para fora.
Eu te bendigo de pé e de verdade 
porque me transportas para a feliz eternidade.

Vida! Eu te amo na leveza das aves, 
no perfume das flores, nas cores do arco-íris, 
na força dos ventos indomáveis e graves
e na liberdade intrínseca das profundas raízes.

Senhor, que a minha vida seja um salmo, um aleluia, 
e nela encontre a felicidade de cada dia!
Que eu seja o Zaqueu convertido e liberto 
do peso da mentira e de coração enfim aberto!

Que eu seja o arauto do deslumbramento 
ofertado no dom da partilha a cada momento!

Ámen!

(Comunidade paroquial de Espinho)

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