Três considerações acerca da ação pastoral dos presbíteros que pediram dispensa do celibato


Muitos são os ministros ordenados que, por vários motivos não possíveis de serem elencados aqui, pediram dispensa do ministério. Qual ação pastoral esses presbíteros exercem atualmente na Igreja? A pergunta suscitará várias respostas dependo da diocese, do bispo, da região e do próprio ministro que se ausentou das funções clericais.

Quanto a mim, falo do lugar de quem há dois anos, depois de uma longa caminhada de discernimento, pediu o afastamento das funções ministeriais. Óbvio que, se atualmente pudesse retornar como padre casado, eu o faria tranquilamente, dado que a dificuldade de exercer o ministério e a razão de me afastar ter sido o desconforto com a regra do celibato. Contudo, sabendo que a discussão sobre o retorno ao ministério dos presbíteros casados é algo para o futuro, reconheço que algumas questões na relação destes com a Igreja poderiam avançar.

Primeiro, seria interessante que eles fossem acompanhados pelo clero local quanto à sua adaptação a nova vida e sentimento. Isso possibilitaria também que, aos poucos, fosse possível saber quem estaria apto a exercer funções pastorais. Como se trata de um momento de muitos conflitos, é importante que cada um seja auxiliado a fim de continuar seu caminho de fé.

Segundo, dado que a Igreja tem necessidade de empregados, vale verificar se algum dos que deixaram a vida no clero se identificariam com essas funções. Mesmo abrindo mão do estado clerical, a pessoa pode ser exímia colaboradora das estruturas ou instituições da Igreja, atuando na administração, contabilidade, secretariado, magistério, coordenação de escola etc. Isso seria uma forma de ampará-la em suas necessidades e ajudá-la no sustento de sua nova vida.

Terceiro, cabe ainda conceder expressamente, ao padre que se casou, o direito de exercer atividades pastorais, de formação, de coordenação, o ministério da palavra, visitas pastorais e aconselhamento na nova comunidade que residir. De um lado, essa seria uma forma dele ajudar pastoralmente, já que não se encontram agentes disponíveis e devidamente formados para assumir muitos dos serviços eclesiais. Por outro lado, seria um jeito dele ser ajudado pela Igreja espiritualmente, pois se sentiria acolhido por uma comunidade de fé.

O Papa Francisco suscitou na Igreja uma linguagem amorosa que possibilita melhor acolhimento daqueles que, por uma razão ou outra, se sentem excluídos da vida eclesial. Com maior esperança, confiamos que os frutos do Sínodo para a Amazónia possam trazer ventos novos para toda a Igreja. Que, entre esses novos ventos, sejam contemplados os anseios dos presbíteros dispensados do ministério presbiteral. Acolhê-los de forma mais generosa trará para a Igreja mais solução do que problema.

José Almir da Costa, em https://domtotal.com
Mestre em Teologia

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