Muitos são os ministros
ordenados que, por vários motivos não possíveis de serem elencados aqui,
pediram dispensa do ministério. Qual ação pastoral esses presbíteros exercem
atualmente na Igreja? A pergunta suscitará várias respostas dependo da diocese,
do bispo, da região e do próprio ministro que se ausentou das funções
clericais.
Quanto a mim, falo do lugar de
quem há dois anos, depois de uma longa caminhada de discernimento, pediu o
afastamento das funções ministeriais. Óbvio que, se atualmente pudesse retornar
como padre casado, eu o faria tranquilamente, dado que a dificuldade de exercer
o ministério e a razão de me afastar ter sido o desconforto com a regra do
celibato. Contudo, sabendo que a discussão sobre o retorno ao ministério dos presbíteros
casados é algo para o futuro, reconheço que algumas questões na relação destes
com a Igreja poderiam avançar.
Primeiro, seria interessante
que eles fossem acompanhados pelo clero local quanto à sua adaptação a nova
vida e sentimento. Isso possibilitaria também que, aos poucos, fosse possível
saber quem estaria apto a exercer funções pastorais. Como se trata de um
momento de muitos conflitos, é importante que cada um seja auxiliado a fim de
continuar seu caminho de fé.
Segundo, dado que a Igreja tem
necessidade de empregados, vale verificar se algum dos que deixaram a vida no
clero se identificariam com essas funções. Mesmo abrindo mão do estado
clerical, a pessoa pode ser exímia colaboradora das estruturas ou instituições
da Igreja, atuando na administração, contabilidade, secretariado, magistério,
coordenação de escola etc. Isso seria uma forma de ampará-la em suas necessidades
e ajudá-la no sustento de sua nova vida.
Terceiro, cabe ainda conceder
expressamente, ao padre que se casou, o direito de exercer atividades
pastorais, de formação, de coordenação, o ministério da palavra, visitas
pastorais e aconselhamento na nova comunidade que residir. De um lado, essa
seria uma forma dele ajudar pastoralmente, já que não se encontram agentes
disponíveis e devidamente formados para assumir muitos dos serviços eclesiais.
Por outro lado, seria um jeito dele ser ajudado pela Igreja espiritualmente,
pois se sentiria acolhido por uma comunidade de fé.
O Papa Francisco suscitou na
Igreja uma linguagem amorosa que possibilita melhor acolhimento daqueles que,
por uma razão ou outra, se sentem excluídos da vida eclesial. Com maior
esperança, confiamos que os frutos do Sínodo para a Amazónia possam trazer
ventos novos para toda a Igreja. Que, entre esses novos ventos, sejam
contemplados os anseios dos presbíteros dispensados do ministério presbiteral.
Acolhê-los de forma mais generosa trará para a Igreja mais solução do que
problema.
José Almir da Costa, em https://domtotal.com
Mestre
em Teologia

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